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Home Ciência

A mais de 5 mil metros de altitude, um estudo em La Rinconada mostrou que excesso de glóbulos vermelhos nem sempre vinha com a doença da montanha

Redação Olhar digital Redação Olhar digital
13/10/2026 20:02
Mulher de uniforme azul segura um oxímetro no dedo de um homem de suéter, junto a uma mesa.

Cena clínica fictícia com oxímetro, sem representar participantes do estudo. Imagem gerada por IA

Em La Rinconada, no Peru, o excesso de glóbulos vermelhos nem sempre vinha acompanhado da doença da montanha. Em um estudo, 44% dos participantes tinham eritrocitose excessiva, mas cerca de 14% preenchiam os critérios de mal crônico de montanha. Os percentuais descrevem a amostra pesquisada. O trabalho, publicado em 2020, reuniu 1.594 adultos voluntários que viviam entre 5.100 e 5.300 metros de altitude.

Eritrocitose é o aumento de glóbulos vermelhos; os pesquisadores a classificaram pelo hematócrito, a fração do sangue ocupada por essas células. Já a classificação da doença combinava esse marcador com sintomas. Ter o marcador elevado não equivalia, por si só, a preencher os critérios clínicos.

A cidade fica nos Andes peruanos e tem sua ocupação ligada à mineração de ouro, como descreve o Earth Observatory, da NASA. Esse é o cenário da pesquisa e da cobertura anterior sobre La Rinconada.

Close das mãos de uma mulher ajustando um oxímetro no dedo de um homem, sobre uma mesa.
Oximetria em cena fictícia; o aparelho não mede hematócrito. Imagem gerada por IA

Uma amostra, duas classificações

O recrutamento ocorreu em consultas destinadas a famílias de mineiros, entre janeiro de 2016 e julho de 2017. Os voluntários tinham de 18 a 57 anos, moravam na cidade havia pelo menos um ano e 85,3% eram homens. Portanto, os resultados não funcionam como um censo da saúde local.

Classificação usada no estudoProporção na amostra
Eritrocitose excessiva, pelo critério internacional adotadoCerca de 44%
Mal crônico de montanha, combinando marcador e sintomasCerca de 14%

As categorias se sobrepõem: os percentuais não devem ser somados. A tabela resume os critérios descritos no estudo citado.

A comparação questiona a relação entre marcador e sintomas. Ela não demonstra proteção contra a altitude nem adaptação genética dos participantes. A observação de uma amostra também não estabelece a causa das diferenças encontradas.

Para outra perspectiva sobre ambientes elevados, o Olhar Digital explica como a altitude interfere no cozimento dos alimentos. A questão clínica exige seus próprios critérios e não pode ser resolvida apenas pela altura de uma cidade.

Leia também: Os limites encontrados na perfuração do poço de Kola

Tags: ciênciacuriosidadessaúde
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