Pesquisadores ligados à Unicamp criaram um açúcar de cana que é absorvido mais devagar pelo organismo. Em testes preliminares, o produto teve o índice glicêmico reduzido de médio para baixo. O sabor, segundo a equipe, é igual ao do açúcar comum. O resultado ainda não foi publicado em revista científica, e a tecnologia está em fase de desenvolvimento.
O que é o açúcar desenvolvido pela Unicamp?
É a sacarose comum, extraída da cana, combinada com extratos antioxidantes durante a cristalização. A receita reúne três ingredientes principais:
- Açúcar de cana, a sacarose usada no dia a dia.
- Extrato da casca do amendoim, rica em antioxidantes.
- Extrato de grãos verdes de café descartados por defeito.
Apesar do uso do café, o produto não tem gosto de café. Os grãos entram apenas como matéria-prima dos extratos, e o sabor final continua o do açúcar comum, segundo a equipe.
O projeto é da plataforma PBIS, que reúne Unicamp, USP, o Instituto de Tecnologia de Alimentos e a Fundação Shunji Nishimura, com financiamento da Fapesp. A coordenação é da professora Juliana Macedo, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.
“Nosso objetivo foi desenvolver um açúcar que pudesse ser absorvido de maneira mais lenta pelo organismo”, disse a pesquisadora à Agência FAPESP.

O que os testes mostraram sobre a glicose?
Os testes mostraram uma queda do índice glicêmico, de médio para baixo. A equipe não divulgou porcentagens, por isso não é possível falar em redução de 50% no pico de glicose.
O índice glicêmico indica a velocidade com que um alimento faz subir o açúcar no sangue. Quanto mais baixo, mais gradual é essa subida.
O estudo com pessoas envolveu 25 voluntários, avaliados ao longo de seis dias. A glicemia foi medida por duas horas depois do consumo. Houve também testes em laboratório. Algumas ideias sobre o novo açúcar merecem cuidado:
Quais são os limites da pesquisa com o novo açúcar?
O principal limite é que os resultados ainda são preliminares e não passaram pela revisão de outros cientistas. A equipe também não informou números exatos da redução.
Para ler a novidade com os pés no chão, considere estes pontos:
- Não há artigo publicado em revista científica, apenas um pedido de patente.
- O teste em humanos teve 25 voluntários, uma amostra pequena.
- O valor calórico não foi medido.
- A tecnologia está nos níveis 5 e 6 de maturidade, numa escala que vai até 9.
“A princípio, supomos que o valor calórico seja igual ao da sacarose convencional”, explicou Juliana Macedo. Ou seja, o benefício está na velocidade de absorção, e não em menos calorias.

Quando o açúcar de baixo índice glicêmico pode chegar ao mercado?
Ainda não há data. A equipe prevê parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália, para avançar nos estudos.
Outro obstáculo é a rotulagem. “Ainda não temos no Brasil um selo que possa ser utilizado na embalagem de alimentos com baixo índice glicêmico”, afirmou a coordenadora. Até lá, o caminho passa por mais testes e pela publicação dos resultados.
O uso de resíduos também chama atenção. Grãos de café com defeito e cascas de amendoim costumam ser descartados pela indústria e, no projeto, ganham uma nova função.
Plataforma PBIS, com Unicamp e Fapesp
O novo açúcar da Unicamp vai chegar à sua mesa?
Pode mudar no futuro, mas ainda é cedo para trocar o açucareiro. A pesquisa abre caminho para um produto que eleva a glicose mais devagar, sem mudar o sabor. Acompanhe as próximas etapas e conte para a gente se você usaria esse açúcar no dia a dia.
