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Home Casa e Construção

Vista do alto, uma antiga cidade do Uzbequistão parece protegida por uma enorme caixa de muralhas, com seu centro histórico encaixado em um retângulo de 26 hectares

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
13/10/2026 19:07
Vista do alto, uma antiga cidade do Uzbequistão parece protegida por uma enorme caixa de muralhas, com seu centro histórico encaixado em um retângulo de 26 hectares

Muralhas delimitam o núcleo histórico de Khiva - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Do alto, muralhas cor de terra contornam um labirinto de ruas estreitas, cúpulas e minaretes. Em Khiva, no Uzbequistão, esse desenho quase geométrico pertence a Itchan Kala, uma cidade interior que guarda mais de dois milênios de história. O contraste surpreende: atrás de paredes monumentais, a vida cotidiana continua entre palácios, antigas escolas e oficinas de artesãos.

Como as muralhas de Khiva desenham um retângulo de 26 hectares?

🏛️ Séculos V e VI: Primeiras muralhas, segundo o turismo oficial.
🌿 1688: Conclusão da cidadela dos governantes locais.
🚀 1990: Reconhecimento como Patrimônio Mundial.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o retângulo histórico mede 650 por 400 metros. As muralhas de tijolos alcançam até 10 metros de altura e distinguem a cidade interior do restante da área urbana. Portanto, os 26 hectares não representam Khiva inteira, mas seu núcleo fortificado.

Quatro portões organizam o acesso ao recinto, cada um voltado para uma direção. Do lado de fora, a forma regular parece uma caixa fechada sobre a paisagem da região de Khorezm. Entretanto, a UNESCO registra 37,5 hectares para toda a propriedade inscrita, medida diferente da superfície ocupada pelo núcleo interior.

Por que essa cidade murada foi importante para as caravanas?

Ruas históricas evocam as antigas rotas comerciais – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Durante séculos, a antiga cidade funcionou como parada para caravanas que seguiam pelo deserto em direção à Pérsia. Por isso, suas ruas reuniram comércio, espaços religiosos e atividades ligadas à circulação de viajantes. A localização no antigo oásis de Khiva ajudou a consolidar essa função histórica na Ásia Central.

Mais tarde, governantes ampliaram o conjunto com palácios, mesquitas e escolas religiosas, conhecidas como madraças. A cidadela Kunya-Ark, concluída em 1688, formava outra fortaleza dentro do recinto e abrigava residências, oficinas e até uma casa da moeda. Assim, o visitante encontra camadas diferentes de poder e vida urbana concentradas em poucos quarteirões.

O que visitar em Itchan Kala além das muralhas?

O patrimônio não se resume ao contorno geométrico observado do céu. A UNESCO identifica 51 construções monumentais antigas no conjunto, entre mesquitas, mausoléus, escolas e antigos espaços comerciais. Entretanto, alguns detalhes ganham força somente quando o visitante percorre as ruas a pé.

Um roteiro curto pode reunir edifícios conhecidos e um espaço menos óbvio. Cada parada revela uma função diferente da antiga cidade interior.

  • Minarete Kalta Minor: estrutura revestida de azulejos coloridos cuja construção começou em 1852 e parou em 1855, antes da altura planejada.
  • Mesquita Juma: espaço religioso marcado por um salão de colunas de madeira esculpida e iluminação discreta.
  • Palácio Tash-Khauli: residência do século XIX com pátios internos, salas e elementos decorativos trabalhados por artesãos locais.
  • Mausoléu de Pahlavon Mahmud: conjunto conhecido pela cúpula azul e pela ligação com um poeta e artesão reverenciado na região.
  • Portão Ata Darvaza: passagem ocidental reconstruída em 1975, um ponto útil para observar a transição entre o exterior e as ruas muradas.

Como chegar a Khiva e organizar a visita?

Khiva encanta visitantes com sua arquitetura antiga e ruas históricas // Créditos: depositphotos.com / monticello

O aeroporto mais próximo fica em Urgench, a aproximadamente 28 km de Khiva, conforme informações municipais. Desde setembro de 2026, um trem também liga o aeroporto à cidade, segundo o governo do Uzbequistão. Assim, visitantes podem combinar transporte aéreo, ferrovia e deslocamentos terrestres, conforme os serviços disponíveis.

Dentro das muralhas, caminhar permite observar detalhes que a vista aérea esconde. Convém verificar horários e ingressos dos monumentos antes do passeio, pois o acesso às ruas não garante entrada em todos os edifícios. Por fim, roupas respeitosas são recomendáveis em espaços religiosos, e calçados confortáveis ajudam nas vias pavimentadas.

PercursoO que observar
ChegadaAeroporto de Urgench, conexão ferroviária e acesso à cidade interior.
CaminhadaPortões, vielas, monumentos e oficinas tradicionais dentro das muralhas.

O que torna Itchan Kala diferente de um museu comum?

A fortificação não abriga somente monumentos antigos e corredores de visitação. Um informe da agência uzbeque de patrimônio cultural registrou, em 2024, mais de 3 mil residentes e 360 domicílios dentro da área histórica. Portanto, a conservação convive com casas habitadas, trabalho artesanal e atividades comerciais.

Segundo o portal oficial de turismo do Uzbequistão, moradores ainda vivem e trabalham nesse cenário. A UNESCO também valoriza as casas tradicionais com pátios internos e pilares esculpidos, não apenas as construções monumentais. Ao mesmo tempo, aponta desafios de conservação ligados à umidade, salinidade do solo e cupins, fatores que exigem atenção contínua.

Uma viagem que começa pelo alto

A vista aérea de Itchan Kala revela um retângulo monumental, mas suas ruas mostram uma história mais complexa que a simples geometria. Entre casas habitadas e edifícios antigos, Khiva reúne a memória das caravanas e o trabalho de gerações de construtores. Por isso, a visita ganha sentido quando combina a observação das muralhas com tempo para conhecer seus espaços interiores. Minha sugestão é caminhar sem pressa e reparar nos detalhes que nenhuma fotografia feita do alto consegue mostrar por completo.

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Tags: arquiteturrahistóriaturismo
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