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Home Arqueologia

Um homem mergulhou em um lago para recolher lixo e encontrou uma canoa indígena de cerca de 1.000 anos no fundo

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
14/10/2026 11:10
Um homem mergulhou em um lago para recolher lixo e encontrou uma canoa indígena de cerca de 1.000 anos no fundo

Representação da descoberta subaquática em Wisconsin - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O mergulho de um voluntário para retirar lixo do lago Pewaukee, nos Estados Unidos, terminou com uma descoberta arqueológica. Em maio de 2026, Mark Schachtner encontrou uma canoa indígena enterrada parcialmente no fundo. A madeira parecia conservar uma história de quase mil anos, mas foram as análises posteriores que revelaram sua idade provável.

Como um mergulho para recolher lixo revelou uma canoa indígena?

Em 6 de maio de 2026, Mark Schachtner participava de uma limpeza voluntária no lago Pewaukee, em Wisconsin. Integrante do Four Seasons Dive Club, ele percebeu uma estrutura comprida que se destacava do sedimento acumulado no fundo. Como já conhecia relatos de embarcações antigas encontradas na região, identificou a possibilidade de estar diante de uma canoa escavada em tronco.

O mergulhador comunicou a descoberta ao órgão estadual de preservação histórica, responsável por acompanhar possíveis vestígios arqueológicos encontrados no território. Cinco dias depois, a arqueóloga marítima Tamara Thomsen retornou ao local com Schachtner para fotografar, filmar e medir a embarcação. A equipe também recolheu pequenas amostras de madeira, permitindo iniciar a investigação sem retirar a canoa de seu ambiente submerso.

🏛️ 6 de maio de 2026: Voluntário encontra a canoa durante a limpeza do lago.
🌿 11 de maio de 2026: Arqueóloga registra o casco e recolhe amostras de madeira.
🚀 Agosto de 2026: Resultados identificam carvalho-branco e indicam idade próxima de mil anos.

O que a datação revelou sobre a idade da canoa indígena?

A análise de madeira ajuda a estimar a idade de vestígios – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

As análises apontaram que a canoa de carvalho-branco provavelmente remonta ao final do século X ou ao começo do XI. O laboratório Beta Analytic aplicou a datação por radiocarbono, técnica que estima a idade de materiais orgânicos a partir do carbono restante. Segundo a ficha técnica da Wisconsin Historical Society, existe probabilidade de 70% para o intervalo entre 992 e 1049 d.C..

Entretanto, a análise também identificou probabilidades menores para períodos posteriores, incluindo intervalos entre 1081 e 1152 d.C. Por isso, falar em aproximadamente 1.000 anos descreve melhor a estimativa do que atribuir um ano exato à construção. Os pesquisadores relacionam o intervalo principal ao fim do período Woodland Tardio, marcado por diferentes tradições indígenas na região.

As marcas de fogo ajudam a explicar como a embarcação foi construída

A embarcação mede aproximadamente 5,27 metros de comprimento e 55 centímetros de largura, segundo o levantamento realizado pelos especialistas. Ela repousa sob cerca de 4,6 metros de água e conserva um casco inteiro, parcialmente encaixado no sedimento. Sua estrutura apresenta vestígios de fogo, sinal material de que o calor participou do processo de escavar e modelar a madeira.

O laboratório de produtos florestais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos identificou a espécie utilizada como carvalho-branco. Assim, a análise da madeira complementa as observações do casco, mas não permite conhecer todos os instrumentos usados pelos construtores. Estudos de outras canoas regionais investigam escolhas semelhantes de árvores, sem atribuir automaticamente a mesma técnica ou função a cada exemplar.

Outras canoas revelam uma história indígena muito mais antiga nos lagos

A descoberta de Pewaukee integra um conjunto maior de pesquisas sobre embarcações indígenas antigas encontradas em Wisconsin. No lago Mendota, arqueólogos já haviam identificado 16 canoas, com idades estimadas que alcançam aproximadamente 5.200 anos. Conforme a pesquisa divulgada pela Wisconsin Historical Society em 2025, diferentes exemplares formam agrupamentos e apresentam variações nas espécies de madeira utilizadas.

Os pesquisadores consideram que esses agrupamentos podem indicar locais de guarda compartilhada e caminhos de circulação entre comunidades. No entanto, essa explicação permanece uma hipótese arqueológica, construída a partir das posições registradas e de conhecimentos indígenas sobre o território. Portanto, as canoas ajudam a investigar deslocamentos, pesca e contatos entre populações, sem revelar sozinhas cada viagem realizada no passado.

Pista arqueológicaO que permite investigar
Canoas agrupadasPossíveis locais compartilhados para guardar embarcações.
Espécies de madeiraEscolhas de materiais e formas de fabricação ao longo do tempo.

Por que a canoa de aproximadamente mil anos permanecerá no fundo?

A Wisconsin Historical Society não pretende retirar a embarcação do lago Pewaukee, após consultar representantes de comunidades indígenas. A decisão respeita a preferência desses representantes pela permanência do objeto no local em que atravessou tantos séculos. Além disso, a água protege a madeira encharcada, que poderia sofrer danos graves caso fosse exposta ao ar sem conservação especializada.

Já duas canoas retiradas do lago Mendota passaram por um tratamento prolongado para estabilizar a madeira e evitar sua deterioração. Em Pewaukee, os arqueólogos registraram o sítio oficialmente, enquanto a legislação estadual restringe a retirada e a perturbação de materiais submersos. A orientação oficial de proteção arqueológica de Wisconsin destaca essa proteção, mostrando por que documentar um achado não exige removê-lo.

O que essa descoberta deixa para a história?

Uma limpeza voluntária revelou um objeto capaz de ampliar o estudo da presença indígena e de suas tecnologias de navegação. Mais importante que retirar a canoa é preservar as evidências e ouvir as comunidades ligadas a essa história. Na próxima vez que observar um lago, imagine quantas histórias suas águas ainda podem guardar.

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Tags: arqueologiaciênciahistória
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