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As lagoas de água doce que surgem entre dunas de areia branca no Maranhão e quase desaparecem na estação seca

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
28/10/2026 19:07
As lagoas de água doce que surgem entre dunas de areia branca no Maranhão e quase desaparecem na estação seca

Lagoas entre dunas brancas, representação dos Lençóis - Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

À primeira vista, o horizonte parece coberto por lençóis de areia branca. Então, entre as curvas das dunas, aparecem espelhos de água azul e verde que a chuva alimenta e a seca transforma. Nos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, esse contraste muda com as estações e reúne água doce, vento e areia em uma paisagem incomum.

Por que os Lençóis Maranhenses têm lagoas de água doce?

As lagoas nascem da água da chuva acumulada nos intervalos entre as dunas, apesar da proximidade com o oceano Atlântico. Segundo a UNESCO, elas não apresentam entradas ou saídas e recebem água exclusivamente das precipitações, não da água salgada do mar. Portanto, as depressões de areia funcionam como reservatórios temporários e formam um cenário que lembra uma praia sem mar.

O segredo também aparece no subsolo: camadas de rocha e argila parcialmente impermeáveis dificultam a drenagem e sustentam lagoas durante as chuvas. Enquanto o lençol freático permanece elevado, a água persiste nesse terreno, mesmo com uma paisagem aparentemente árida e dunas de até 30 metros. Por sua vez, a NASA calcula aproximadamente 1.250 mm de chuva por ano na região, quantidade incompatível com a ideia de um deserto típico.

🏛️ 1981: Criação do parque nacional para proteger dunas, lagoas e outros ecossistemas costeiros.
🌿 2024: Reconhecimento dos Lençóis Maranhenses como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
🚀 Todos os anos: As chuvas renovam lagoas temporárias e a seca modifica sua distribuição.

Por que tantas lagoas desaparecem na estação seca?

Depressão arenosa quase seca após a estiagem – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Quando as chuvas diminuem, o nível da água subterrânea baixa e muitas lagoas perdem volume até secar, principalmente no fim do ano. Segundo a NASA, esse processo se intensifica entre agosto e novembro, deixando grande parte das depressões vazias em dezembro. Entretanto, isso não ocorre em todos os casos: a UNESCO identifica lagoas temporárias e permanentes, por isso o cenário muda conforme a estação.

O vento também modifica o terreno: as dunas avançam de 4 a 25 metros por ano e alteram as margens das depressões. Imagens do satélite Landsat mostram avanços de aproximadamente 0,5 km para oeste entre 1986 e 2026 em partes desse campo de dunas. Além da areia móvel, a profundidade das lagoas altera suas cores, com águas rasas mais claras e áreas profundas em azul mais escuro.

Onde conhecer as lagoas e quais passeios escolher?

Os acessos por Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão oferecem circuitos diferentes para conhecer as lagoas entre as dunas. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) exige operadores credenciados para o transporte e a condução turística.

  • Lagoa Azul: circuito tradicional de Barreirinhas, com travessia em veículo autorizado e paradas para banho.
  • Lagoa Bonita: acesso por escadaria até um mirante natural, de onde surgem dunas, vegetação e diferentes lagoas.
  • Lagoa das Emendadas: roteiro de Santo Amaro com caminhada mais longa; as duas lagoas se unem quando há bastante água.
  • Circuito América: alternativa menos óbvia, alcançada por barco pelo rio Alegre, com lagoas próximas à comunidade América.

O povoado de Atins também permite explorar o entorno das dunas e oferece acesso às caminhadas de travessia. Antes de escolher o passeio, confirme as condições das lagoas e as regras locais, porque os circuitos mudam conforme a estação. A entrada no parque é gratuita, mas os serviços de transporte e condução têm cobrança própria.

Qual é a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?

Lençóis Maranhenses chamam atenção pelo contraste entre dunas e lagoas // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

De maio a setembro, as lagoas costumam estar mais cheias, enquanto Barreirinhas registra máximas médias entre 29 °C e 32 °C. As chuvas concentram-se no começo do ano: abril registra média de 306 mm, contra apenas 6 mm em setembro.

🌧️ Mais Chuvosa
Janeiro a Maio 24 °C a 30 °C
🌧️ 145 a 306 mm/mês
O que fazer: Acompanhar de perto o enchimento das lagoas e prever chuvas intensas no roteiro.
Atenção: É o “inverno maranhense”. As fortes precipitações são vitais para o lençol freático encher os bolsões de água entre as dunas.
Status: Estação das chuvas (lagoas enchendo).
🌧️ LAGOAS ENCHENDO
🌟 Transição
Junho e Julho 24 °C a 31 °C
🌤️ 45 a 76 mm/mês
O que fazer: Priorizar os badalados circuitos com as lagoas cheias.
Dica: É o momento perfeito! As chuvas finalmente dão trégua, o sol brilha forte e todas as lagoas alcançaram o seu nível máximo de água.
Status: 🌟 Melhor Época! Cenário espetacular e altíssima temporada.
🌟 LAGOAS CHEIAS
☀️ Mais Seca
Agosto a Dezembro 25 °C a 32 °C
☀️ 6 a 44 mm/mês
O que fazer: Confirmar o nível das lagoas perenes antes do passeio com as agências locais.
Atenção: É o auge da seca. Com o passar dos meses, o vento forte e o sol fazem grande parte das lagoas desaparecerem (especialmente no fim do ano).
Status: Seca e calor (lagoas esvaziando).
☀️ NÍVEL DAS LAGOAS

Nota climática: a tabela reúne médias históricas do Climatempo, não uma previsão de viagem. De São Luís, são cerca de 250 km até Barreirinhas e 225 km até Santo Amaro, por rodovias. Quem chega de avião à capital pode seguir de carro ou transfer até as cidades-base; também há ônibus para Barreirinhas.

Uma paisagem que merece ser vivida com calma

Nos Lençóis Maranhenses, cada caminhada oferece uma relação diferente entre horizonte, silêncio e movimento, sem a promessa de encontrar sempre a mesma paisagem. Quem observa as dunas com atenção percebe como a natureza muda de aparência sem perder a força de sua identidade. Por isso, respeitar os caminhos autorizados e as comunidades próximas faz parte de uma experiência mais consciente nesse território protegido. Se tiver a oportunidade, caminhe sem pressa, converse com um condutor local e aproveite a rara sensação de ver a paisagem mudar diante dos olhos.

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Tags: curiosidadenaturezaturismo
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