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Home Arqueologia

Arqueólogos encontram máscaras rituais de milhares de anos usadas em cerimônias e associadas aos mortos: o que se sabe

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
29/10/2026 22:07
Arqueólogos encontram máscaras rituais de milhares de anos usadas em cerimônias e associadas aos mortos: o que se sabe

Recriação ilustrada de máscara cerimonial de barro de Tlatilco - Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Em Tlatilco, no atual México, arqueólogos identificaram máscaras de barro associadas a cerimônias e sepultamentos de milhares de anos. Algumas exibem perfurações para fixação, enquanto outras aparecem em contextos funerários. Mas a relação dessas peças com festas dedicadas aos mortos exige distinguir evidências arqueológicas das tradições que ainda existem no país.

O que os arqueólogos encontraram em Tlatilco?

Em Tlatilco, na Bacia do México, arqueólogos identificaram máscaras cerâmicas e figuras de músicos e dançarinos, além de objetos ligados a práticas rituais e domésticas. O Museu Nacional de Antropologia situa parte desse repertório no Pré-Clássico Médio, entre 1200 e 600 a.C., período anterior às grandes cidades da região. Já a fase de maior atividade local, entre 1200 e 900 a.C., aparece em catálogos que descrevem a produção artesanal daquela comunidade agrícola em barro.

Durante quatro temporadas de escavação, equipes reuniram sepultamentos, pequenas esculturas e máscaras que ajudam a distinguir atividades cotidianas de manifestações cerimoniais desse assentamento. Alguns rostos retratam seres humanos e outros combinam feições animais, o que mostra diversidade artística, sem estabelecer o significado exato de cada peça. Entretanto, os textos publicados em 2018 e 2021 descrevem coleções anteriores, sobre máscaras como registra o catálogo arqueológico do museu.

🏛️ 1200 a 600 a.C.: Período associado às expressões rituais e à produção de objetos cerâmicos de Tlatilco.
🌿 2018: Museu apresenta uma máscara cerimonial e sua interpretação.
🚀 2021: Nova publicação detalha máscaras e contextos funerários.

Como eram feitas e utilizadas as máscaras rituais?

Representação ilustrada da modelagem de uma máscara de barro – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Os artesãos de Tlatilco modelavam barro sem moldes, criando rostos arredondados, sobrancelhas salientes e bocas abertas, às vezes com dentes e língua em destaque. Em diversas peças, pigmentos vermelhos recobrem partes do rosto, enquanto olhos e boca apresentam aberturas que indicam diferentes possibilidades de uso em cerimônias. Por exemplo, uma máscara documentada em 2021 possui orifícios nas têmporas e na testa, que poderiam servir para prendê-la ao rosto durante apresentações coletivas.

Uma máscara descrita pelo museu em 2018 combina superfície escura, pigmento vermelho e traços que os especialistas associam possivelmente a um macaco. As perfurações laterais reforçam sua interpretação como objeto de festividades religiosas, naquele contexto, segundo a descrição institucional da máscara cerimonial. Porém, essa evidência não permite identificar o usuário, a duração das cerimônias nem a participação obrigatória de máscaras em toda celebração daquela antiga comunidade.

As máscaras acompanhavam os mortos?

Algumas máscaras apareceram junto a sepultamentos masculinos e femininos, conforme documentação arqueológica reunida pelo museu para o sítio de Tlatilco durante pesquisas arqueológicas. Arqueólogos também identificaram objetos semelhantes em locais próximos ao rio Cuautla, no estado mexicano de Morelos, ao explorar contextos funerários com materiais compartilhados desse período. Assim, o conjunto sugere relações culturais entre comunidades, embora a presença de peças similares não revele todas as crenças que orientavam cada enterro.

Uma interpretação apresentada pelo museu propõe que certas máscaras acompanhassem pessoas falecidas durante uma possível jornada espiritual depois da morte, segundo essa hipótese. Outras peças parecem representar vida e morte, enquanto estudiosos também discutem funções alternativas, como tampas de incensários ou recipientes, para determinados exemplares. Portanto, é possível reconhecer a ligação de parte do acervo com rituais funerários, sem atribuir significado religioso idêntico a todas as máscaras com segurança.

As festas dos mortos atuais têm ligação com os achados?

Máscaras de épocas distintas em comparação ilustrada – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

As celebrações dos mortos no México atual incluem máscaras, desfiles e altares familiares, mas não existe prova de continuidade direta desde os rituais de Tlatilco. Na região da Huasteca, a festa Xantolo reúne personagens chamados Huehues, que utilizam disfarces e representam seres vinculados à memória dos falecidos no calendário local. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), essas práticas variam entre localidades e refletem transformações históricas.

A reportagem institucional da UNESCO sobre o Xantolo, divulgada em 2024, apresenta máscaras feitas com madeira, couro e outros materiais em localidades distintas. Já as peças arqueológicas de Tlatilco são principalmente cerâmicas e pertencem a uma sociedade muito anterior às formas atuais de comemoração no tempo histórico. Por isso, as semelhanças permitem perguntas sobre cerimônias e morte, mas não comprovam que aqueles objetos integrassem festas dos mortos com costumes semelhantes aos atuais.

EvidênciaO que permite afirmar
Perfurações nas máscarasIndicam possível fixação e uso em cerimônias.
Contextos funeráriosAssociam algumas peças à morte, sem identificar uma festa específica.

O que esses rostos preservam do passado

As máscaras antigas revelam como materiais simples participavam de cerimônias e expressavam ideias sobre a morte. Contudo, a arqueologia precisa separar objetos observáveis das crenças que os pesquisadores tentam interpretar. Esse cuidado impede que costumes de épocas distintas pareçam integrar a mesma tradição sem provas suficientes. Ao conhecer essas diferenças, você pode olhar para cada rosto preservado como uma pista valiosa, sem transformar hipóteses em certezas.

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Tags: arqueologiaciênciahistória
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