O motor da geladeira quase não desliga, a conta de luz subiu e, atrás do aparelho, não sobra espaço nenhum: para caber na cozinha, ele foi empurrado até encostar na parede. Na porta, a borracha está dura e com pequenas rachaduras. As duas cenas são comuns, e o alerta que um técnico de refrigeração costuma dar sobre elas aparece também em orientações oficiais como causa de aumento no consumo de energia.
Geladeira colada na parede obriga o compressor a trabalhar mais
A geladeira não fabrica frio: ela retira o calor de dentro e o libera do lado de fora. Quem faz esse trabalho são o compressor e o condensador, que precisam de ventilação para dissipar o calor. A explicação está nas orientações divulgadas pelo Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), com base no Inmetro. Encostado na parede, o aparelho fica sem essa circulação de ar.
O programa Energy Star, do governo dos Estados Unidos, descreve o mesmo mecanismo. Segundo ele, o espaço entre a parede e o refrigerador deixa o ar circular e mantém as serpentinas mais frias, e assim o aparelho não precisa trabalhar tanto. Sem essa folga, o motor passa mais tempo ligado para segurar a temperatura interna, e a conta acompanha.
Qual é a distância certa entre a geladeira e a parede?
A medida exata está no manual do seu modelo, porque cada fabricante indica a folga que o projeto exige. Pelas orientações do Inmetro reproduzidas pelo ITPS, os fabricantes costumam pedir cerca de 15 centímetros de distância das paredes. Na dúvida, siga o que diz o manual.

Os números mudam de um aparelho para outro. Em orientação publicada pela Agência Estadual de Notícias do Paraná em 2019, a Copel recomendava ao menos três centímetros livres nas laterais e oito nos fundos. Na mesma ocasião, a distribuidora calculou que geladeiras avaliadas pelo Inmetro consumiam cerca de 85 kWh por mês, ou 51% do consumo residencial médio do estado.
Borracha ressecada deixa o ar quente entrar na geladeira
A borracha de vedação é o que mantém o frio do lado de dentro com a porta fechada. Com o tempo, ela resseca, endurece ou racha, e as frestas aumentam o gasto, segundo o ITPS. A Copel também aponta a borracha ressecada como causa de consumo maior. Uma vedação folgada deixa entrar ar quente, e o aparelho precisa gastar mais para resfriar os alimentos, como explicou a Cemig em material da Agência Minas.
Para checar, a Cemig recomenda o teste da folha de papel, publicado pela Agência Minas em 2025: prenda a folha entre a porta e o gabinete, feche e puxe. Se ela sair com facilidade, a borracha precisa ser trocada, e o teste deve ser repetido em vários pontos da porta. O Olhar Digital já mostrou como um técnico faz uma versão rápida dessa checagem.
Técnico de geladeira revela o teste de 10 segundos que denuncia se o frio está escapando pela porta➔
Manutenção simples reduz o esforço do compressor no dia a dia
A serpentina, que fica na parte traseira da maioria dos modelos, também pede limpeza periódica, segundo o ITPS. Poeira acumulada atrapalha a saída do calor. A traseira deve ficar livre: a Cemig confirma que secar roupas atrás da geladeira prejudica a troca térmica e aumenta o consumo. Antes de limpar ou mover o aparelho, desligue-o da tomada.

Os hábitos também pesam: não guarde alimentos ainda quentes e evite deixar a porta aberta por muito tempo, recomenda o ITPS. Na hora de trocar a borracha de vedação, procure a assistência técnica ou um técnico de refrigeração, que confere também o fechamento da porta. Motor que não para, ruído estranho ou gelo em excesso pedem diagnóstico profissional.
Voltando àquela cozinha do começo: a geladeira encostada na parede e a borracha rachada explicam boa parte do motor que não descansa. Afaste o aparelho conforme o manual, faça o teste da folha neste fim de semana e repare se o compressor passa a desligar com mais frequência. Depois, compare as próximas contas de luz e me conte o que mudou.
A geladeira não é o único aparelho que pesa na fatura. Quem quer entender quanto o ar-condicionado gasta pode seguir para esta outra matéria do site.
