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Home Filósofos e Frases

Marie Curie e Einstein trocaram cartas por 20 anos e, um século depois, um livro revela o que os dois cientistas diziam um ao outro

Vanessa Ramos Vanessa Ramos
01/11/2026 20:29
Marie Curie e Albert Einstein trocaram cartas de 1911 a 1932 sobre ciência, política e vida pessoal

Marie Curie e Albert Einstein trocaram cartas de 1911 a 1932 sobre ciência, política e vida pessoal - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Hoje quase toda conversa cabe numa mensagem de poucos segundos. Por isso chama atenção a edição francesa das cartas entre Marie Curie e Albert Einstein, apresentada em Paris em abril de 2026. De 1911 a 1932, os dois físicos escreveram um ao outro sobre pesquisa, política científica e vida pessoal. O livro que reúne essa correspondência saiu primeiro na Polônia, em janeiro de 2025, e mostra de perto a amizade entre dois dos nomes mais famosos da ciência.

Como começou a amizade entre Marie Curie e Albert Einstein?

A amizade começou nos encontros científicos, quando Marie Curie já era uma cientista célebre. Ela havia recebido o Prêmio Nobel de Física de 1903, dividido com Pierre Curie e Henri Becquerel. Einstein, mais jovem, ainda construía a reputação que o levaria ao Nobel de Física de 1921.

As cartas mais antigas do conjunto são de 1911, ano do primeiro Conselho Solvay, em Bruxelas, que reuniu os grandes nomes da física da época. Em março de 1913, Einstein e a mulher, Mileva, se hospedaram no apartamento da cientista em Paris durante uma visita para palestras. De volta a Zurique, ele escreveu a ela sobre uma viagem que fariam juntos aos Alpes suíços.

O que reúne o livro com as cartas trocadas entre 1911 e 1932?

O volume reúne 26 cartas e um cartão-postal inédito que Einstein enviou do Brasil, segundo a Fundação para o Desenvolvimento da Educação para a Indústria. A fundação publicou a obra com o Museu Maria Skłodowska-Curie, em Varsóvia. Curie escrevia em francês e Einstein, em alemão. Os originais estavam em acervos como a Biblioteca Nacional da França, o Museu Curie, a Universidade Hebraica de Jerusalém, a ETH de Zurique e Princeton.

O livro reúne 26 cartas e um cartão-postal inédito, com fac-símiles dos manuscritos e fotos de época
O livro reúne 26 cartas e um cartão-postal inédito, com fac-símiles dos manuscritos e fotos de época – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A edição traz fac-símiles dos manuscritos, tradução, fotos de época e comentários de Hanoch Gutfreund, Jan Piskurewicz e Tomasz Pospieszny. Para Gutfreund, a amizade se apoiava na “admiração mútua pela dedicação de cada um aos valores humanos e ao engajamento social”. Quem quiser conhecer outro lado da cientista polonesa pode seguir pela reflexão sobre o medo que costuma ser ligada ao nome dela.

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Carta de apoio de Einstein a Curie no escândalo de 1911

Em novembro de 1911, Einstein mandou a Curie uma carta de solidariedade num dos momentos mais duros da vida pública dela. A imprensa francesa explorava o relacionamento da cientista, viúva desde 1906, com o físico Paul Langevin, que era casado e estava separado da mulher.

Na carta, escrita em Praga, Einstein se dizia indignado com a forma como o público se metia na vida da amiga. O conselho era não ler os ataques. Ele também elogiava o intelecto, a energia e a honestidade de Curie, qualidades que dizia admirar nela.

O episódio coincidiu com o segundo Prêmio Nobel da cientista, o de Química de 1911, pelos trabalhos com o rádio e o polônio. Foi a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel. A viagem aos Alpes, combinada por carta para 1913, mostra que a amizade continuou depois da crise.

Liga das Nações e a cooperação intelectual nas cartas

Depois da Primeira Guerra Mundial, parte das cartas tratava da Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. É o que informa o Centro Científico da Academia Polonesa de Ciências em Paris, que apresentou a edição francesa. Os dois participaram desse grupo, que reunia cientistas e intelectuais de vários países.

Os temas iam da física à situação da ciência europeia, mas também incluíam assuntos pessoais. A editora destaca que Curie, já gravemente doente nos últimos anos, continuava escrevendo de forma precisa e profissional. Às vezes, ela ditava as cartas às filhas ou à secretária.

A publicação teve autorização dos netos da cientista, os professores Hélène Langevin-Joliot e Pierre Joliot. As cartas de Einstein saíram com permissão da Princeton University Press e dos Arquivos Albert Einstein, da Universidade Hebraica de Jerusalém. No prefácio, os netos chamam a primeira publicação dessa correspondência de acontecimento inédito.

A lição da correspondência entre Curie e Einstein hoje

Ler essa correspondência é ver dois vencedores do Prêmio Nobel tratando um ao outro como colegas e amigos, sem pose de gênio. As cartas vão até 1932, dois anos antes da morte de Marie Curie, em julho de 1934, na França.

As cartas vão até 1932, dois anos antes da morte de Marie Curie, em julho de 1934, na França
As cartas vão até 1932, dois anos antes da morte de Marie Curie, em julho de 1934, na França – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O projeto do livro nasceu de uma curiosidade lateral. A idealizadora, Ewa Łabno-Falęcka, soube pela filha que Curie tinha carteira de motorista de caminhão. Segundo a editora, ela tirou o documento para levar equipamentos de raio X ao front na Primeira Guerra, e foi a partir dessa descoberta que a pesquisa ganhou forma.

As cartas lembram que grandes trabalhos também dependem de amizade, de apoio em momentos difíceis e de conversas pacientes. Fica o convite para pensar no seu caso: com quem você troca ideias há anos, e o que diria a essa pessoa numa carta escrita com calma?

Einstein também está por trás de uma das frases mais repetidas sobre criatividade, com origem numa entrevista de 1929. Vale conhecer a história completa dela.

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Tags: Albert Einsteincorrespondênciafilósofos e frasesfísicaMarie CuriePrêmio Nobel
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