Um bosque, uma câmera e um felino sem provas há mais de um século
E se um dos animais mais esquivos da Europa estivesse entre as árvores, olhando direto para a lente? Dois fotógrafos foram conferir. ⬇️
Por mais de cem anos, ninguém reuniu provas de que o gato selvagem europeu ainda vivia em parte dos Apeninos italianos. Dois fotógrafos documentaristas mudaram essa história com câmeras escondidas na mata e muita paciência. Em cinco anos de trabalho, eles somaram cerca de cem vídeos do felino, filmado de dia e de noite.
Onde o gato selvagem europeu foi filmado na Itália?
O felino foi filmado nos Apeninos das Quatro Províncias, uma região de montanhas no norte do país. Ali, os fotógrafos Paolo Rossi e Nicola Rebora escolheram trechos de mata, instalaram armadilhas fotográficas e registraram o animal várias vezes, sob ângulos diferentes.
As imagens vieram de três vales: Trebbia, na Ligúria, Borbera, no Piemonte, e Boreca, na Emília. Em um vídeo do Piemonte, o bicho apareceu em plena luz do dia, algo raro para um animal que costuma agir à noite.
Esse felino vive sozinho, defende território e prefere matas de árvores que perdem as folhas, com abrigos e fontes de água. Como também é raro e foge de gente, cada registro em vídeo vale muito para quem estuda a espécie.

Como as filmagens avançaram entre 2018 e 2023?
As filmagens avançaram em três etapas, de um vídeo casual em 2018 até registros em três vales diferentes. A sequência abaixo mostra cada marco da pesquisa.
Os números foram apresentados em 2024, em uma palestra anunciada pelo Parco Agricolo Sud Milano. O filme mais recente de Rossi e Rebora, Gatto sarvaego, traz cenas de fêmeas com filhotes. Os vídeos passaram pela revisão de um pesquisador independente, Stefano Anile, antes de ganhar o público.
Como diferenciar o felino selvagem de um gato doméstico?
A cauda grossa e as marcas escuras do pelo ajudam a diferenciar o Felis silvestris silvestris de um gato doméstico. O ISPRA, instituto público italiano de pesquisa ambiental, lista sinais de reconhecimento, mas só especialistas confirmam a identificação.
- Cauda mais grossa que a de um gato doméstico, em forma de clava, com anéis pretos perto da ponta e extremidade preta.
- Faixa escura que parte dos ombros e segue até a base da cauda.
- Borda preta no focinho, na divisa entre a mucosa e a pele coberta de pelos.
- De quatro a cinco listras pretas na nuca e duas listras na região dos ombros.
Como esses traços podem ficar escondidos em imagens ruins, o projeto classifica cada registro em níveis de confiança, que vão da confirmação genética à simples possibilidade.
Quais ameaças ainda pesam sobre o felino?
A interação com gatos domésticos, os atropelamentos e a perda de habitat estão entre as principais ameaças ao gato dos bosques. Elas aparecem em um projeto nacional que reúne, desde 2021, observações de cidadãos, parques e armadilhas fotográficas.
- Interação com gatos domésticos, que inclui o risco de cruzamento entre as duas formas.
- Atropelamentos, já que parte dos registros do projeto vem de animais encontrados em estradas.
- Perda de habitat, pois a espécie depende de matas com pouca presença humana.
O território de um macho pode ir de 600 a 3.000 hectares, segundo o ISPRA, e o de uma fêmea, de 500 a 1.000. Esses números mostram por que o animal precisa de matas extensas e bem conservadas.
O que essas imagens mudam para o futuro do felino?
As imagens não provam que a espécie esteja se expandindo, mas mostram que o gato selvagem europeu segue vivo em vales onde ninguém o documentava. Cada novo registro ajuda a desenhar um mapa mais fiel de onde ele mora nos Apeninos das Quatro Províncias.
E você, já parou para pensar quantos animais esquivos passam por trilhas que você conhece? Na próxima caminhada, vá devagar e preste atenção nos sons.
