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Home Cidades

Uma cidade africana parece dividida por enormes abismos, e pontes suspensas conectam bairros que foram construídos sobre paredões de pedra

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
04/11/2026 09:07
Uma cidade africana parece dividida por enormes abismos, e pontes suspensas conectam bairros que foram construídos sobre paredões de pedra

Ponte suspensa sobre o desfiladeiro de Constantine - Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

O chão desaparece entre ruas e fachadas, enquanto pontes atravessam um vazio impressionante. Em Constantine, no nordeste da Argélia, construções acompanham os paredões de um desfiladeiro cortado pelo rio Rhumel. Assim, atravessar a cidade revela o encontro entre uma paisagem natural extrema e séculos de soluções humanas para continuar vivendo sobre ela.

Por que Constantine cresceu sobre paredões de pedra?

A Cidade das Pontes Suspensas ocupa um grande maciço rochoso, marcado por paredões verticais e cercado pelas gargantas profundas do rio Rhumel. Embora o cenário pareça separar completamente suas partes, as travessias aproximam o centro histórico de outros setores urbanos. Assim, o próprio relevo determina caminhos, perspectivas e deslocamentos que seriam comuns em uma cidade construída sobre terreno plano.

Segundo o Ministério do Turismo da Argélia, a antiga Cirta ganhou fama justamente por ocupar essa imensa formação de pedra. Entretanto, chamar todas as ligações de pontes suspensas simplifica uma paisagem que reúne cabos, passarelas e estruturas apoiadas em arcos, construídas em períodos históricos diferentes. Na prática, cada época encontrou um jeito de cruzar o desfiladeiro, preservando suas paredes naturais e o contraste entre rocha e construções.

🏛️ 1792: A passagem El Kantara recebe uma reconstrução durante o período otomano.
🌉 1908: Começa a construção da ponte de pedra Sidi Rached.
🏺 2004: O centro antigo recebe proteção como patrimônio nacional argelino.

Quais pontes formam o cenário de Constantine?

Arcos de pedra ilustram a engenharia das pontes – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Os caminhos mais famosos exibem tecnologias de construção diferentes, mas todos respondem à presença do desfiladeiro. Uma ponte combina torres e cabos; outra revela fileiras de arcos de pedra sobre o vale. Para perceber essas diferenças, vale observar cinco travessias identificadas pela Universidade Frère Mentouri Constantine 1.

  • Ponte Sidi M’Cid: inaugurada em 1912, cruza o Rhumel a aproximadamente 175 metros de altura por meio de cabos.
  • Passarela Mellah Slimane: aberta em 1925, permite a passagem de pedestres entre a região da estação e o centro.
  • Ponte Sidi Rached: possui 447 metros de comprimento e 27 arcos, numa configuração bastante diferente das pontes suspensas.
  • Ponte El Kantara: ocupa uma antiga passagem sobre o rio e guarda a memória de sucessivas reconstruções.
  • Ponte das Quedas: construída em 1925, atravessa o Rhumel perto da saída do desfiladeiro, numa área menos lembrada.

Por isso, a visita não precisa se limitar à travessia mais fotografada. Afinal, mudar de ponte também altera a leitura da cidade, das encostas e das distâncias entre seus bairros. Enquanto isso, as margens revelam a escala dos desfiladeiros e ajudam a compreender o traçado das ruas.

Constantine conserva uma história muito anterior às pontes modernas

Antes de receber seu nome atual, a cidade era Cirta, um importante centro da Numídia na Antiguidade e referência política na região. A UNESCO registra sua destruição em 311 e a posterior reconstrução pelo imperador Constantino, que lhe deu o nome atual. Dessa forma, a paisagem reúne uma história muito mais longa que a das estruturas metálicas hoje associadas ao lugar e de seus caminhos elevados.

Ao longo dos séculos, tradições númidas, romanas, muçulmanas, otomanas e coloniais deixaram marcas na cidade histórica. O Palácio do Bey e a mesquita do Emir Abdelkader ajudam a compreender essa diversidade arquitetônica, enquanto a música malouf integra sua identidade cultural. Posteriormente, um plano de conservação com cooperação internacional buscou proteger a paisagem urbana histórica e orientar novas construções próximas do centro antigo.

Como chegar e aproveitar a cidade das pontes?

Constantine, na Argélia, impressiona pelas pontes que atravessam desfiladeiros profundos // Créditos: depositphotos.com / DavePrimov

O Aeroporto Internacional Mohamed Boudiaf atende Constantine, que também conta com ferrovia, terminal rodoviário e bonde urbano. Portanto, quem chega de outras cidades argelinas pode avaliar diferentes meios de transporte conforme a origem e os horários disponíveis. Para explorar os desfiladeiros, convém combinar deslocamentos urbanos com caminhadas por áreas onde a vista alcança as pontes.

Comece pelo entorno da casbá, observe a ligação entre o núcleo antigo e as novas áreas e reserve tempo para diferentes mirantes. Por sua vez, quem prefere uma travessia exclusiva para pedestres pode considerar Mellah Slimane, enquanto Sidi M’Cid também recebe circulação de veículos. Como as estruturas ficam sobre grandes precipícios, respeite as barreiras, confira as condições de acesso e evite fotografar junto ao tráfego.

TravessiaO que observar
SuspensaCabos, torres e a profundidade do desfiladeiro.
Em arcosAlvenaria, pilares e a sequência das aberturas.

Uma travessia que merece tempo

As pontes fazem mais que ligar dois lados de Constantine: elas tornam visível a relação entre engenharia, história e natureza. Enquanto o rio segue no fundo das gargantas, a vida urbana continua sobre ruas, escadarias e passagens construídas em épocas diferentes. Por isso, visitar esse cenário exige curiosidade também pelos bairros, pela cultura e pelos monumentos que existem além das travessias mais conhecidas. Se você conhecer o nordeste argelino, reserve algumas horas para caminhar com calma e enxergar essa cidade extraordinária dos dois lados do abismo.

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Tags: construçãocuriosidadeengenhariaturismo
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