A Lua gigante de novembro pode nem ser tão gigante assim
Astrônomos olham para o mesmo céu e chegam a conclusões diferentes por causa de poucas centenas de quilômetros. Entenda a conta antes de procurar a Lua ⬇️
A Lua cheia de 24 de novembro chega aos calendários como superlua, mas parte dos astrônomos recusa o título por poucas centenas de quilômetros. Ninguém contesta a distância medida. A briga é pela régua que define quando a Lua está perto o bastante para receber o prefixo “super”. Conforme a escolha, o mesmo astro ganha ou perde a coroa.
Por que alguns astrônomos negam o título de superlua?
Porque não existe definição oficial, e cada régua entrega um resultado diferente. O termo surgiu em 1979, criado pelo astrólogo americano Richard Nolle. A NASA explica que ele costuma descrever uma Lua cheia que chega a pelo menos 90% do perigeu, o ponto da órbita mais próximo da Terra.
A órbita lunar é uma elipse, então a distância muda a cada volta. Em cerca de 27 dias, a Lua passa por um perigeu, em média a 363,3 mil km, e por um apogeu, em média a 405,5 mil km. Como esses extremos variam de volta em volta, qualquer régua fixa corta o calendário de um jeito diferente.
Outras referências adotam um corte fixo: só vale a Lua cheia com o centro a menos de 360 mil quilômetros do centro da Terra. É o critério do site timeanddate.com, e parte dos astrônomos prefere chamar esse caso de Lua cheia no perigeu.
No dia 24, a Lua cheia ocorre a cerca de 360.768 km da Terra. São 768 km além da linha dos 360 mil. O perigeu só chega no dia seguinte, a cerca de 359 mil km, quando a fase cheia já passou.

Como ficam os números da superlua em cada critério?
Pela regra dos 90%, a Lua de novembro é superlua, e pelo corte de 360 mil km, não é. O quadro a seguir compara os três cenários lado a lado.
Quem se frustrou com o debate de novembro encontra consolo em dezembro. A Lua cheia de 23 de dezembro acontece às 22h28 em Brasília, a 356,7 mil km, e passa em todos os critérios. Será a Lua cheia mais próxima de 2026, e o perigeu chega cerca de sete horas depois.
O que a superlua muda de fato no céu e no mar?
Muda pouco a olho nu, mas o efeito existe. A NASA lista o que a Lua mais próxima altera:
- Tamanho: até 14% maior que a Lua cheia mais distante do ano, diferença difícil de notar a olho nu.
- Brilho: até 30% mais intenso que a Lua cheia mais fraca do ano, ganho mais fácil de perceber que o tamanho.
- Marés: com a Lua perto da Terra, as marés podem subir mais que o normal.
A NASA relaciona as superluas de novembro e de dezembro de 2026 como as próximas do ano. Elas ocorrem de três a quatro vezes por ano, sempre em sequência, porque o alinhamento entre perigeu e Lua cheia só acontece em parte da órbita da Terra.
Como observar a Lua cheia de 24 de novembro?
O melhor momento é o anoitecer, quando a Lua nasce no leste, já que a fase cheia ocorre de dia, às 11h53 em Brasília. Em São Paulo, ela surge perto das 19h, e o horário muda de cidade para cidade, então siga estes passos:
- Consulte o horário do nascer da Lua na sua cidade.
- Escolha um ponto com o horizonte leste livre, como praia, mirante ou andar alto.
- Chegue alguns minutos antes e deixe a vista se acostumar.
- Aproveite a primeira meia hora, quando a Lua baixa parece maior por uma ilusão de percepção.
Se o céu estiver nublado, não desanime. Na noite seguinte, a Lua ainda aparece quase cheia e ainda mais perto da Terra, já que o perigeu acontece no dia 25.
A polêmica tira o brilho dessa Lua cheia?
Não tira, porque o céu não liga para rótulos. A Lua do Castor, nome da cheia de novembro, nasce no leste do mesmo jeito, seja superlua ou não.
Que tal chamar um amigo, ir até a janela no fim da tarde e ver quem percebe a diferença primeiro?
