O telescópio Swift, da Nasa, ainda vai cair? Não vai mais: o observatório reentrou na atmosfera nesta quarta-feira (4), às 9h39 no horário de Brasília, sobre a região de Sumatra do Norte, na Indonésia. Lançado em 2004 para uma missão principal de dois anos, o Observatório Neil Gehrels Swift passou quase 22 anos no espaço estudando explosões de raios gama, os eventos mais energéticos do universo. O fim veio pelo atrito com o ar rarefeito da órbita baixa.
Lançado em 2004, o Swift tinha missão prevista para dois anos
O Telescópio Swift foi lançado em 20 de novembro de 2004 e começou as observações científicas no mês seguinte. Segundo o balanço oficial do fim da missão Swift, publicado pela Nasa, a missão principal era de dois anos, e o satélite operou mais de dez vezes esse prazo. A última observação científica aconteceu em 20 de outubro de 2026.
O nome também conta parte da história: o satélite virou Swift, ou “ágil” em inglês, pela rapidez com que girava para apontar explosões cósmicas. Em 2018, depois da morte do astrofísico Neil Gehrels, primeiro pesquisador principal da missão, o observatório passou a levar o nome dele, origem explicada neste vídeo do Centro Goddard, da Nasa.
Por que o telescópio Swift perdeu altitude tão depressa?
A explicação está no Sol. De acordo com o comunicado da Nasa sobre o encerramento das operações do Swift, a atividade solar intensa aumentou o arrasto atmosférico, o atrito com as poucas partículas de ar que ainda existem a centenas de quilômetros de altura. Esse freio constante fez o satélite descer cada vez mais rápido.
Para ganhar tempo, a equipe passou a usar, a partir de dezembro de 2025, um modo de apontamento que reduzia o arrasto. O objetivo era manter o observatório acima de cerca de 300 quilômetros, e as observações científicas ficaram suspensas de meados de fevereiro ao fim de agosto de 2026, enquanto a agência apostava num resgate.

O resgate com o satélite robótico LINK não chegou ao Swift
Em setembro de 2025, a Nasa contratou a empresa Katalyst Space para tentar elevar a órbita do Swift. Conforme o relatório da Nasa sobre as lições da missão de reforço do Swift, a empresa teve cerca de um ano para projetar, construir, testar e lançar o LINK, um satélite que encontraria, agarraria e empurraria o telescópio.
O LINK foi lançado em julho de 2026 a partir do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall, a bordo de um foguete Pegasus XL. Já no espaço, apresentou perdas intermitentes de comunicação e falhas no controle de orientação. A captura foi cancelada, a Nasa encerrou a participação em 3 de setembro e o LINK fez a própria reentrada em 25 de setembro.
Sem o resgate, o Swift voltou a observar em agosto, mas o arrasto cresceu e ele chegou a 275 quilômetros em 20 de outubro, quando a equipe da Universidade Penn State enviou o comando final. A órbita baixa é disputada por satélites ativos e por milhares de detritos, um tema que tem tudo a ver com a queda do telescópio.
Onde e quando a reentrada do Swift aconteceu de fato?
A Força Espacial dos Estados Unidos confirmou que o Swift reentrou às 7h39 do horário de Nova York (9h39 em Brasília) da quarta-feira (4). Segundo a atualização da Nasa sobre a reentrada do Swift, o ponto ficou sobre Sumatra do Norte, na Indonésia, a cerca de 3,4° de latitude norte e 98,6° de longitude leste.

A agência esperava que a maior parte da estrutura queimasse durante a descida pela atmosfera. Mesmo assim, a Nasa admite que alguns componentes podem ter sobrevivido à reentrada, sem detalhar quais peças nem onde teriam caído.
Com isso, acaba quase 22 anos depois do lançamento uma missão planejada para dois. O Swift e o LINK, as duas naves envolvidas na tentativa de resgate, terminaram do mesmo jeito: consumidas pelo atrito com o ar ao voltar do espaço.
O legado do Swift fica em milhares de estudos e dados públicos
A Nasa contabiliza mais de 2 mil explosões de raios gama observadas, mais de 1,4 mil supernovas estudadas e dados usados em cerca de 7 mil artigos científicos. Em maio de 2005, o telescópio registrou o primeiro brilho residual de uma explosão curta de raios gama, a GRB 050509B, que durou só 0,03 segundo. O arquivo público, com cerca de 12 terabytes, continua disponível para pesquisadores.
Se você viu nas redes vídeos que prometem mostrar “pedaços do Swift”, desconfie: a Nasa não confirmou nenhum fragmento encontrado. Acompanhe esse tipo de caso pelos canais oficiais da agência. E, se um dia achar um objeto metálico estranho que possa ter vindo do espaço, não toque nele e avise as autoridades locais, como a Defesa Civil.
Quem gosta de astronomia também vai se interessar por outro observatório fora do comum, construído com gelo no fundo da Antártida.
