Subir a serra até Rio de Contas, na Bahia, muda o ritmo da viagem antes mesmo da chegada. A 1.200 metros de altitude, a cidade da Chapada Diamantina combina ruas antigas, montanhas e tradições que atravessam séculos. O roteiro permite caminhar por um núcleo preservado pela União e, depois, seguir para paisagens naturais e experiências comunitárias.
Por que Rio de Contas parece diferente de outras cidades históricas?
O traçado urbano ajuda a explicar essa sensação. A Secretaria de Turismo do Estado apresenta o município como uma das primeiras cidades planejadas do Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística confirma que a sede da antiga vila foi transferida para o povoado de Creoulos em 1745. Esse núcleo corresponde à cidade atual.
A paisagem construída também ganhou proteção nacional. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o conjunto em 1980, protegendo uma área com 287 edificações. Praças, ruas antigas, casario em adobe, monumentos de pedra e igrejas barrocas formam um centro que ainda permite perceber a organização urbana histórica.
O que ver entre o casario e as montanhas?
O passeio funciona melhor quando o centro histórico e a natureza entram no mesmo roteiro. Em 2026, a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA) reuniu esses pontos em uma viagem de familiarização. A programação mostrou como a experiência local ultrapassa as fachadas antigas.
- Centro Histórico: concentra ruas preservadas, igrejas, praças e construções protegidas pelo tombamento federal.
- Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento: integra o circuito religioso e serve de ponto de partida para a tradicional Noite das Lanternas.
- Casa de Câmara e Cadeia: imóvel histórico restaurado pelo Iphan, hoje ligado à atividade turística municipal.
- Ponte do Coronel: aparece entre os cartões-postais destacados pela Setur-BA e recebeu sinalização turística estadual em 2026.
- Cachoeira do Fraga: acrescenta paisagem natural ao roteiro e também recebeu sinalização entre os principais atrativos do município.
- Parque Natural da Serra das Almas: leva a visita para uma unidade de conservação ambiental incluída no roteiro oficial de promoção turística.
- Mirante da Capelinha: opção menos óbvia para observar o pôr do sol e a vista panorâmica da cidade.

Quando tradição quilombola e gastronomia entram na viagem?
Elas entram quando o visitante sai do circuito monumental e conhece experiências mantidas por comunidades do município. A Setur-BA inclui Barra do Brumado e Bananal em seu roteiro, com gastronomia ancestral, artesanato e manifestações culturais afro-baianas. Esse contato amplia a leitura do destino, pois conecta patrimônio, memória comunitária e práticas que continuam presentes.
A comida também aparece em outras paradas. A programação oficial passou pela Fazenda Vaccaro, que reúne hospedagem, restaurante, piscinas naturais e alambique. Em Mato Grosso, o roteiro conheceu a produção do café Mafra. Na época de Corpus Christi, outra tradição transforma o centro. A Noite das Lanternas tem mais de 300 anos. Durante a celebração, as luzes da cidade são apagadas e a procissão avança iluminada por lanternas.
Como chegar a Rio de Contas e organizar os passeios?
Partindo de Salvador, a Setur-BA informa um percurso de cerca de 540 km pelas BR-324, BR-242 e BA-148. A distância favorece uma viagem planejada com tempo para deslocamento. Assim, fica mais fácil combinar atrações urbanas e naturais sem concentrar tudo em poucas horas.
Em 2026, o Governo da Bahia instalou sinalização no Centro Histórico, na Cachoeira do Fraga e na Ponte do Coronel. A mesma temporada recebeu um famtour com 23 profissionais do turismo, voltado à apresentação de novos produtos e experiências. Para o visitante, esse movimento reforça um roteiro dividido entre caminhada histórica, natureza, comunidades e gastronomia local.
Vale reservar mais de um dia
Rio de Contas reúne patrimônio protegido, altitude, tradição religiosa e paisagens naturais em uma viagem que muda de cenário ao longo do dia. O centro pede caminhada atenta, enquanto o entorno amplia o passeio com serra, cachoeira e experiências comunitárias. Se você gosta de história ligada à paisagem, eu reservaria tempo para conhecer cada parte com calma e sem transformar a visita em uma corrida.
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