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Home Filósofos e Frases

Ariano Suassuna sobre a vida: “O otimista é um tolo, o pessimista é um chato; bom mesmo é ser um realista esperançoso.” A sabedoria do escritor paraibano

Vanessa Ramos Vanessa Ramos
29/10/2026 10:29
Ariano Suassuna defendia ser um realista esperançoso: encarar os fatos de frente e, mesmo assim, escolher agir

Ariano Suassuna defendia ser um realista esperançoso: encarar os fatos de frente e, mesmo assim, escolher agir - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

184 verbetes formam Lições de Realismo Esperançoso, livro organizado por Carlos Newton Júnior e lançado pela editora Nova Fronteira em novembro de 2025 para reunir as tiradas de Ariano Suassuna. O título vem da frase mais compartilhada do escritor paraibano, um dos grandes nomes da literatura brasileira: “O otimista é um tolo, o pessimista é um chato; bom mesmo é ser um realista esperançoso”. Mais de uma década depois da morte do autor, a ideia segue circulando porque descreve um jeito de encarar a vida sem fantasia e sem desânimo.

A frase do realista esperançoso circula em várias versões

A frase do realista esperançoso aparece em mais de uma forma, e todas apontam para o mesmo lugar. Na reportagem reproduzida pela Academia Brasileira de Letras, a versão registrada é “O pessimista é um chato; o otimista, um tolo. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. A ordem muda, mas o raciocínio fica intacto.

Em outra formulação, destacada pelo Itaú Cultural num perfil do autor, os adjetivos são outros: “Não sou otimista nem pessimista. O otimista é ingênuo e o pessimista, amargo. Sou realista esperançoso”. Variações assim são esperadas em quem repetiu as próprias ideias em entrevistas e palestras durante décadas.

O sentido é o mesmo nas duas versões. O otimista ingênuo aposta que tudo se resolve sozinho, enquanto o pessimista desiste antes de tentar. Já o realista esperançoso olha os fatos de frente e, mesmo assim, escolhe agir, porque entende a esperança como disposição, e não como previsão.

Da Paraíba ao Recife, uma infância marcada pela perda

Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa, capital da Paraíba, segundo a biografia oficial da Academia Brasileira de Letras. Filho de Cássia Villar e João Suassuna, perdeu o pai cedo: depois da Revolução de 1930, ele foi assassinado no Rio de Janeiro por motivos políticos.

Em Auto da Compadecida, escrita em 1955, João Grilo e Chicó driblam a fome e os poderosos com esperteza e riso
Em Auto da Compadecida, escrita em 1955, João Grilo e Chicó driblam a fome e os poderosos com esperteza e riso – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A família foi para o sertão e viveu em Taperoá, no interior da Paraíba, de 1933 a 1937. A cidade reapareceria anos depois como cenário do Auto da Compadecida. Em 1942, o futuro escritor se mudou para o Recife, onde construiu a carreira e morreu em 23 de julho de 2014, aos 87 anos.

Conhecer essa trajetória ajuda a ler a frase com outros olhos: a esperança do dramaturgo vinha de quem enfrentou a perda ainda menino. Outra matéria do Curiosidades mostra como essa ideia ajuda a atravessar tempos de notícia ruim.

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Ariano Suassuna, dramaturgo brasileiro: “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso”…➔

O que o Movimento Armorial revela sobre o olhar do autor?

O Movimento Armorial revela um autor que via na cultura do povo a matéria-prima de uma arte erudita. Lançado no Recife em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina: do Barroco ao Armorial”, o movimento aproximou as raízes populares do Nordeste da música de concerto, das artes visuais e da literatura.

Lançado no Recife em 1970, o Movimento Armorial aproximou as raízes populares do Nordeste da música de concerto
Lançado no Recife em 1970, o Movimento Armorial aproximou as raízes populares do Nordeste da música de concerto – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

No ano seguinte, em 1971, ele publicou o Romance d’A Pedra do Reino, que definia como “romance armorial-popular brasileiro”. Ser realista esperançoso, nesse caso, era olhar para o sertão sem enxergar só a carência, mas também a riqueza dos cantadores, do cordel e das festas populares.

Por que o Auto da Compadecida conversa tão bem com a frase?

O Auto da Compadecida conversa com a frase porque trata a dureza da vida com riso. Escrita em 1955, a peça deu ao autor reconhecimento nacional e acompanha João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que driblam a fome e os poderosos com esperteza.

Nenhum dos dois é otimista, porque sabem que o mundo é injusto. Também não são pessimistas, já que nunca param de inventar saída. É o realismo esperançoso em forma de comédia, e a peça segue viva em montagens de teatro e adaptações para televisão e cinema.

O legado de Suassuna na literatura brasileira e nas redes

O criador do Movimento Armorial foi eleito em 3 de agosto de 1989 para a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras e tomou posse em 9 de agosto de 1990. Também foi professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco e secretário de Cultura de Pernambuco entre 1994 e 1998.

Foi nessa época, por volta de 1995, que nasceram as aulas-espetáculo, palestras com música, dança e muito humor. Gravações dessas falas ainda movimentam a internet: segundo levantamento da FGV citado na reportagem reproduzida pela Academia, conteúdos do escritor somaram 8 milhões de visualizações no YouTube em 2024.

A frase sobrevive porque não pede fé cega nem resignação. Ela pede que a gente encare o tamanho real do problema e, ainda assim, faça a parte que nos cabe. Fica o convite, de amigo para amigo: pense na situação que mais tem tirado seu sono e responda com sinceridade, você tem sido o tolo, o chato ou o realista esperançoso?

Se você gosta de frases que ajudam a pensar a própria vida, vale conhecer também uma ideia estoica com quase 2 mil anos. Ela trata do peso que damos às nossas opiniões sobre os problemas.

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Epicteto, filósofo estoico: “Os homens não são perturbados pelas coisas, mas pelas opiniões que têm delas”…➔

Tags: Ariano SuassunaAuto da Compadecidafrasesliteratura brasileiramovimento armorialrealista esperançoso
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