Três décadas após o primeiro vestibular, Cintia Maria Ancona descobriu uma coincidência: faria o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na sala do filho. Em 2025, no Espírito Santo, ela estreava na avaliação, enquanto Gabriel participava pela terceira vez. Para ele, a coincidência trouxe uma sensação inesperada de tranquilidade.
Mãe e filho dividem a sala do Enem no Espírito Santo e vivem uma coincidência incomum
Em 9 de novembro de 2025, a Multivix de Laranjeiras, na Serra, recebeu dois participantes unidos por algo além da prova: eram mãe e filho. Cintia, de 49 anos, estreava no Enem, enquanto Gabriel, de 20 anos, encarava sua terceira participação. Apesar da diferença nas experiências, ambos ficaram na mesma sala, coincidência que transformou uma manhã de avaliação em uma história familiar.
A situação chamou atenção porque Cintia já havia prestado vestibular cerca de três décadas antes, mas nunca tinha participado dessa avaliação nacional. Gabriel, por sua vez, conhecia o ritmo do Enem e buscava uma oportunidade para estudar História, escolha diferente da trajetória materna. Segundo os relatos publicados naquela ocasião, o filho sentiu mais tranquilidade com a mãe por perto, mesmo diante da responsabilidade de responder individualmente.
Como a consulta ao cartão de confirmação revelou a coincidência antes do dia da prova

A coincidência começou antes da prova, quando Cintia consultou o cartão de confirmação do filho e identificou o mesmo endereço de aplicação. Ela contou que imaginou uma experiência tensa, mas acabou encarando o encontro inesperado com leveza, sem alterar as obrigações impostas aos participantes. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informa que esse documento apresenta a data, o horário e o local.
Em 23 de outubro de 2025, os cartões ficaram disponíveis para consulta, conforme a Secretaria da Educação da Bahia. Porém, compartilhar uma sala não significa realizar uma prova conjunta: cada candidato responde seu próprio caderno, seguindo regras de identificação e aplicação. Para Gabriel, a presença familiar trouxe alívio, conforme seu depoimento, mas esse relato não permite medir efeitos sobre nota ou desempenho acadêmico.
O que mudou nos 30 anos entre o vestibular de Cintia e o modelo atual do Enem
O vestibular da mãe pertence a um período anterior ao próprio Enem, cuja primeira edição ocorreu apenas em 1998, segundo o histórico do Enem. Naquela estreia, o exame reuniu 115.575 participantes em 184 municípios, e somente duas instituições de ensino superior utilizavam seus resultados para ingresso. Desde então, a avaliação ganhou outros usos e passou a integrar processos de seleção universitária, ampliando suas possibilidades para diferentes trajetórias escolares.
Cintia havia conseguido aprovação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e construiu uma trajetória profissional como oceanóloga. Em 2025, ela decidiu prestar o Enem pela primeira vez para testar conhecimentos, pensando em uma futura graduação em Administração. Assim, seu retorno a uma prova ligada ao ensino superior não significava repetir o passado, mas considerar outro caminho acadêmico décadas depois.
O que mãe e filho enfrentaram nas provas do Enem 2025 e por que seus objetivos eram diferentes

O Enem 2025 teve aplicações regulares em 9 e 16 de novembro, com conteúdos distribuídos por áreas de conhecimento em dois domingos. No primeiro, Cintia e Gabriel enfrentaram questões de Linguagens e Ciências Humanas, além da redação, que exigia construir argumentos sobre um tema social. Naquele ano, o assunto proposto foi perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, conforme os registros da prova divulgados pelo governo.
A provas e gabaritos do Enem 2025 permite consultar os cadernos aplicados e verificar a estrutura daquela edição. Entretanto, as metas de Cintia e Gabriel eram diferentes, porque ele buscava História e ela tratava a participação como experiência preparatória. Até onde o relato público permite saber, não há informação verificada sobre notas obtidas, aprovações posteriores ou mudanças efetivas de curso.
O encontro familiar que deu outro significado ao dia de prova
A história reúne duas fases da vida e mostra como uma coincidência simples pode alterar a experiência pessoal diante de uma avaliação importante. Para Gabriel, o alívio apareceu no depoimento; para Cintia, o exame representou a possibilidade de explorar novos planos acadêmicos depois de décadas. Se você retomasse os estudos hoje, qual pessoa gostaria de encontrar ao seu lado antes de entrar na sala de prova? Talvez esse seja o detalhe mais marcante do caso: caminhos diferentes podem se cruzar justamente quando cada um tenta avançar.
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