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Home Animais e Vida Selvagem

Cientistas encontram sinais de glóbulos vermelhos em fóssil de dinossauro de 115 milhões de anos achado numa mina de gesso no Ceará

Alexandre Zambiasi Alexandre Zambiasi
05/11/2026 11:17
Cientistas encontram sinais de glóbulos vermelhos em fóssil de dinossauro de 115 milhões de anos achado numa mina de gesso no Ceará

Sangue de dinossauro encontrado em fóssil no Ceará - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

🦖

E se o sangue de um dinossauro resistisse ao tempo?

Um osso brasileiro de 115 milhões de anos guarda pistas que podem mudar o que se sabia sobre a vida longa das moléculas. Ficou curioso? ⬇️

Um osso de 115 milhões de anos pode ter guardado algo que ninguém esperava reencontrar: sangue. Pesquisadores da Universidade Curtin, na Austrália, identificaram estruturas parecidas com glóbulos vermelhos, junto de vestígios químicos do sangue, dentro de um fóssil encontrado no Ceará. O estudo, divulgado em 2 de novembro de 2026, desafia o que se sabia sobre quanto tempo material biológico consegue sobreviver.

Que dinossauro é esse e onde ele foi encontrado?

É o Aratasaurus museunacionali, um terópode carnívoro que viveu no atual Nordeste brasileiro há cerca de 115 milhões de anos. O fóssil foi achado em 2008 na Mina Pedra Branca, uma mina de gesso perto de Santana do Cariri, no Ceará. Um morador local doou o material ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, na mesma cidade.

Depois, o material seguiu para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, para estudos. O nome científico significa “nascido do fogo” e homenageia a instituição, atingida por um incêndio em 2018. Descrito em 2020, o animal media pouco mais de 3 metros e ainda crescia quando morreu.

A descoberta de sangue de Aratasaurus museunacionali no Nordeste – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como os cientistas chegaram aos glóbulos vermelhos?

A equipe combinou microscopia, análises mineralógicas e geoquímica molecular em ossos da perna do dinossauro. O trabalho, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, a PNAS, reuniu quatro evidências principais:

  • Microestruturas ovais nos canais vasculares do osso, que, segundo a equipe, combinam em forma, tamanho e posição com glóbulos vermelhos.
  • Heme B, a molécula com ferro que compõe a hemoglobina, detectada de forma intacta dentro dessas estruturas.
  • Aminoácidos de colágeno, uma proteína estrutural, também preservados no material.
  • Testes na rocha ao redor, feitos para confirmar que o heme veio do osso e não de outra fonte.

A hemoglobina é a proteína que leva oxigênio pelo corpo, por isso o heme funciona como pista direta sobre o sangue. Segundo a Curtin, este é o primeiro estudo a provar quimicamente a presença de moléculas derivadas da hemoglobina dentro dessas células.

O grupo internacional incluiu cientistas do Museu Nacional, da Universidade Regional do Cariri, da agência japonesa JAMSTEC e da Universidade Johns Hopkins.

O fóssil cearense com sangue de 115 milhões de anos – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Por que o material resistiu por 115 milhões de anos?

Para os autores do estudo publicado na PNAS, o terópode foi soterrado logo após a morte em um ambiente com pouco oxigênio e rico em micro-organismos. As células também foram mineralizadas por hausmannita, um óxido de manganês que estabilizou as estruturas e as moléculas, como uma cápsula do tempo natural.

Três fatores, segundo os pesquisadores, explicam essa preservação excepcional. A sequência abaixo resume o caminho, da morte do animal à fossilização.

Os 3 fatores que protegeram o material

🌊

Soterramento rápidoSegundo os autores, o dinossauro foi enterrado logo depois de morrer.
🧫

Pouco oxigênio e micro-organismosO ambiente tinha baixo teor de oxigênio e era rico em micróbios, condição ligada à preservação excepcional.
🪨

Mineralização por hausmannitaO óxido de manganês ajudou a estabilizar as estruturas celulares e as biomoléculas ao longo do tempo.
Fonte: comunicado da Universidade Curtin sobre o estudo publicado na PNAS, em novembro de 2026.

Para Martin Van Kranendonk, chefe da Escola de Ciências da Terra e Planetárias da Curtin, o estudo redefine a preservação de estruturas moleculares. A conclusão pode ter implicações para a astrobiologia e a busca por vida antiga no cosmos.

Todos os especialistas concordam com a descoberta?

Não, a comunidade científica ainda debate a interpretação das imagens. A pesquisadora Mary Schweitzer, ouvida pela Live Science, não está convencida de que as imagens mostrem glóbulos e cita, entre outros motivos, estes dois:

  • A forma não combina de modo convincente com a esperada para glóbulos de animais não mamíferos.
  • As estruturas são menores que a maioria dos glóbulos vermelhos desses animais.

O material analisado também não contém DNA, apenas células fossilizadas e moléculas associadas. A descoberta não permite, portanto, recuperar o código genético do dinossauro cearense.

O que essa descoberta muda daqui para frente?

Se as conclusões resistirem a novos testes, a abordagem permite estudar transporte de oxigênio, metabolismo e até nível de atividade de animais extintos. Para os autores, o achado mostra que moléculas como a hemoglobina podem durar muito mais do que se imaginava.

E você, acredita que o sangue de um dinossauro cearense ficou guardado por 115 milhões de anos? Me conta nos comentários.

Tags: AratasaurusMuseu NacionalUniversidade Curtin
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