Algoritmo ajuda a selecionar pacientes com câncer para cirurgia urgente

Uso dessa tecnologia evita que pacientes sem urgência se exponham ao novo coronavírus

Vinicius Szafran, editado por Daniel Junqueira 08/06/2020 18h15
Câncer de mama
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Pesquisadores do The Royal Marsden e do Instituto de Pesquisa de Câncer (ICR), ambos de Londres, em colaboração com colegas do Reino Unido, Alemanha e EUA, desenvolveram um método para melhor seleção de pacientes com câncer de mama durante a pandemia de Covid-19. O algoritmo escolhe quais das pacientes precisam de quimioterapia ou de cirurgia com urgência.


Usando dados de vários estudos internacionais, o algoritmo pode identificar pacientes na pós-menopausa com câncer de mama primário ER + HER2- (cerca de 70% dos casos), cujos tumores são menos sensíveis ao sistema endócrino e que devem ser priorizadas para cirurgia precoce ou quimioterapia neoadjuvante.

A pandemia de Covid-19 levou hospitais do mundo todo a priorizar cirurgias e quimioterapias para pacientes mais urgentes, a fim de proteger a equipe médica e pacientes mais vulneráveis. Enquanto pessoas diagnosticadas com câncer de mama triplo negativo e HER2 positivo são levadas com mais urgência para os tratamentos, um grande grupo de pacientes tem sido obrigado a adiar suas sessões e fazer tratamentos alternativos, como terapia endócrina neoadjuvante (NeoET), que reduz a estimulação da doença por estrogênio sem a remoção cirúrgica do tumor.

Reprodução

Selo de conscientização do câncer de mama. Imagem: Reprodução

O professor Mitch Dowsett, diretor do Centro Ralph Lauren de Pesquisa do Câncer de Mama no Royal Marsden e professor de endocrinologia bioquímica no ICR, liderou o estudo publicado no NPJ Breast Cancer nesta semana. O trabalho destacou que, embora 85% das pacientes que tiveram suas cirurgias adiadas estariam seguras para permanecer no tratamento com NeoET por até seis meses, 15% podem ser identificados como resistentes ao tratamento e com risco de evolução da doença.

"O NeoET pode impedir que o tumor cresça em muitas mulheres, mas para uma em cada seis que são resistentes, existe o risco de o tumor continuar a crescer e se espalhar em outros lugares", disse Dowsett.

"Ao acessar resultados não publicados de ensaios clínicos envolvendo milhares de pacientes, com colegas aqui e no exterior, desenvolvemos uma nova maneira de direcionar o tratamento de pacientes nessa crise global", continuou. "Usando os dados sobre receptores de estrogênio, de progesterona e proliferação do tumor em pacientes recém-diagnosticadas, nossa calculadora nova e simples pode ser usada por colegas médicos em todo o mundo para identificar imediatamente o melhor curso de tratamento para cerca de 80% de seus pacientes".

Para os outros 20%, o médico afirma que, algumas semanas após iniciar o tratamento com NeoET, mede-se o valor de uma proteína que dita o ritmo de divisão celular no tumor. "No geral, podemos identificar os 15% das mulheres que correm maior risco apenas com o NeoET e devem ser priorizadas para cirurgia e quimioterapia neoadjuvante", explicou.

Com esse novo método, será mais fácil para os médicos identificarem as necessidades das pacientes, e evitarem a exposição desnecessária ao coronavírus daquelas que estão em situação menos preocupante.

Via: Medical Xpress

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