CEOs do Google, Facebook e Twitter se defendem no Senado dos EUA

Uma audiência realizada nesta quarta (28) reuniu os executivos para discutir as práticas de moderação de conteúdo nas redes

Renato Mota 28/10/2020 19h10
Capitólio dos Estados Unidos
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Atualmente, só uma questão une democratas e republicanos nos Estados Unidos: as críticas sobre como Facebook, Google e Twitter operam nas redes. Em uma audiência parlamentar realizada nesta quarta-feira (28), executivos das três empresas responderam perguntas dos senadores norte-americanos, que expuseram suas visões sobre o poder do Vale do Silício para policiar a internet.

Mas essa união entre os principais partidos dos EUA é breve, já que entre si as queixas são diferentes. Democratas dizem que as companhias deveriam patrulhar melhor seus sites e serviços, enquanto republicanos achavam que as empresas deveriam ter um papel mais indireto no controle do discurso político.

As audiências fazem parte da revisão das leis federais conhecidas como Seção 230, que evita que sites de mídia social sejam responsabilizados por postagens, fotos e vídeos publicados em suas redes. "Os democratas costumam dizer que não removemos conteúdo suficiente, e os republicanos costumam dizer que removemos muito", afirmou Mark Zuckerberg em seu discurso. "O fato de ambos os lados nos criticarem não significa que estamos entendendo bem, mas significa que há desacordos reais sobre onde deveriam estar os limites do discurso online".

Os republicanos acusam Zuckerberg, Sundar Pichai do Google e Jack Dorsey do Twitter de censura deliberada de conteúdos conservadores, incluindo postagens do presidente Donald Trump. "Quem diabos te elegeu?", questionou o senador republicano Ted Cruz a Dorsey em uma das discussões mais acaloradas. "Por que você insiste em se comportar como um comitê democrata, silenciando pontos de vista contrários às suas crenças políticas?", completou Cruz.

Os democratas, por outro lado, acusam os republicanos de usar a audiência para aplicar pressão política no setor de Tecnologia, às vésperas das eleições nacionais. O senador Brian Schatz disse que os republicanos apenas convocaram a sessão para "intimidar" os sites de mídia social para que deem a Trump um tratamento online mais favorável.

Em suas defesas, todas as três empresas negaram ter qualquer preconceito político, e seus executivos garantiram que trabalham para enfatizar sua imparcialidade. "Deixe-me ser claro: abordamos nosso trabalho sem preconceito político, ponto final", disse Pichai em seu discurso de abertura ao comitê. "Fazer o contrário seria contrário aos nossos interesses comerciais e à nossa missão".

As empresas planejam defender a legislação atual, que diz que os sites não podem ser responsabilizados legalmente pelo que as pessoas postam, não importa o quão ofensivo ou prejudicial seja. A Seção 230 permitiu que empresas como Facebook, Twitter e Google se transformassem em operações massivas que permeiam quase todos os aspectos da vida moderna, sem o medo de processos judiciais paralisantes.

Mas à medida que os apelos para conter o crescente poder do Vale do Silício ficam cada vez mais altos, a Seção 230 se tornou um saco de pancadas conveniente para democratas e republicanos, com legisladores de ambos os partidos defendendo a reforma ou revogação da lei.

"Mudá-la é uma decisão significativa. No entanto, acredito que o Congresso deve atualizar a lei para garantir que funcione como pretendido. Apoiamos as ideias sobre transparência e colaboração da indústria que estão sendo discutidas em algumas das propostas bipartidárias atuais, e estou ansioso para um diálogo significativo sobre como podemos atualizar a lei para lidar com os problemas que enfrentamos hoje", afirmou Zuckerberg.

Via: Washington Post/NPR

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