Novo browser burla censura chinesa, mas seu uso traz riscos

Chamado 'Tuber', lançado pela empresa Qihoo 360, o navegador é capaz de atravessar o firewall chinês e acessar sites como YouTube e Facebook, mas ainda há controle de conteúdo pelo estado

Rafael Arbulu, editado por Daniel Junqueira 12/10/2020 15h37
Censura na China
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Um dos dilemas de turistas e jornalistas que acabam visitando a China é como acessar a internet de maneira satisfatória, quando o conteúdo é inteiramente censurado pelo governo do país asiático. A empresa Qihoo 360 lançou recentemente um navegador, intitulado “Tuber”, para smartphones Android, que permite o acesso a sites bloqueados pelo firewall chinês - mas não sem algumas condições específicas.


Segundo informa o TechCrunch, o app, que tem uma versão para iOS prometida para “logo”, consegue fazer com que você acesse, dentro da China e de forma completamente legalizada, sites como YouTube, Facebook e Twitter - normalmente, essas plataformas, bem como apps e jogos que o governo desaprova, são proibidas no país, que conta com versões chinesas de cada um deles. Entretanto, o acesso não é o mesmo do qual nós gozamos fora do controle chinês.

Conteúdos que se mostrem contrários ao governo da China, satirizem a figura do presidente Xi Jianping ou que façam menção direta ao Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, estão totalmente bloqueados. Mais além, o simples uso do app exige que você faça um cadastro, informando um número de celular chinês que seja atrelado ao seu nome.

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O navegador Tuber, da Qihoo 360, permite que usuários acessem plataformas barradas pelo firewall da China, mas isso pode trazer problemas com as autoridades do país. Imagem: Tuber/Divulgação

Ainda há o problema de “encontrar” o app: anteriormente, qualquer pessoa poderia achá-lo pela loja de aplicativos para Android da Huawei, mas a listagem do programa já foi removida de lá. O próprio Techcrunch apontava para um link onde o “.apk” (extensão de arquivo relacionada a instaladores de apps no Android) poderia ser baixado diretamente, mas este também se encontra fora do ar.

Não que isso seja uma surpresa: desde muito tempo, o governo chinês considera vários formatos ocidentais de conteúdo “subversivos”, censurando o acesso. A empresa que desenvolve o Tuber ainda emite o alerta de que seu uso “para visualizar ou compartilhar conteúdos errados” pode trazer problemas com as autoridades locais - ou seja, tem alguém do governo vendo o que você faz. Dada essa percepção, não seria estranho se o acesso a canais proibidos no território chinês trouxesse uma reação contrária do governo ao app.

O Tuber é desenvolvido por uma empresa de segurança cuja propriedade é 70% detida por uma subsidiária da Qihoo 360, então pode ser que o governo chinês tenha questionado qualquer uma das três empresas quanto à validade do app ou ordenado a sua descontinuação.

Fonte: Techcrunch

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