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Governo sugere que games online reduzem atividade cerebral

Sofia Aureli, editado por Liliane Nakagawa 05/12/2019 12h12
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Campanha feita pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirma que jogar diminui a massa cinzenta do cérebro; estudos mostram o contrário

Nesta terça-feira (3), a conta do Twitter do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) publicou o vídeo para a campanha “Desafio Detox Digital Brasil” afirmando, sem provas, que jogos online diminuem a massa cinzenta e, por consequência, a atividade cerebral.


“Você sabia que jogar online pode afetar sua capacidade de raciocínio? Um estudo recente avaliou jovens que jogaram pela internet durante um período de seis semanas. Resultado: a massa cinzenta do cérebro diminuiu exatamente na região responsável pelo controle dos impulsos e tomada de decisões. Imagina o que acontece com pessoas que fazem isso por períodos ainda maiores?”, a apresentadora narra na campanha.

A campanha aponta que a informação é derivada de uma “pesquisa recente”, mas não especifica qual. Tudo o que aparece no vídeo é um link, não clicável, para o site do Centro Nacional de Biotecnologia da Informação dos Estados Unidos (NBCI) que reúne uma série de artigos e pesquisas científicas. No entanto, não há nenhum link para a suposta fonte citada pelo governo.

Segundo o portal Versus, um estudo chinês hospedado no site da NBCI pode ser a fonte do estudo. Traduzido como “Crescimento anormal das massas cinza e branca em viciados em jogos na internet”, a pesquisa indica que viciados em jogos online podem apresentar redução da capacidade cerebral. Mesmo assim, a informação apresentada no vídeo do MMFDH permanece equivocada, pois generaliza os jogadores com usuários que apresentam algum distúrbio com games.

Inclusive, inúmeros estudos apontam o contrário. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Ciências Eletrônicas e Tecnologia da China e pela Universidade Macquarie em Sydney, Austrália, falam que a massa cinzenta aumenta com jogos de ação. Para comprovar, analisaram os cérebros de dois usuários que não tinham o costume de jogar regularmente.

Apesar de não ter consenso entre a comunidade científica, pesquisas indicam que videogames melhoram a atenção e visão dos usuários, suas capacidades de aprendizagem e, geralmente, o cérebro. Isso é comprovado, por exemplo, por um estudo de 2017 pelo departamento de psicologia do Centro de Pesquisa em Neuropsicologia e Cognição de Montreal, no Canadá. Ele aponta que jogos são benéficos para as atividades cerebrais quando o game exige decisões responsivas do player - por outro lado, a massa cinzenta pode diminuir quando o jogador realiza as mesmas ações no jogo.

Em resposta ao vídeo, diversos players, fãs de videogames e figuras importantes da cena e-sports no Brasil criticaram a campanha do governo. Veja alguns pronunciamentos:

 

Via: Versus

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