Morte

'Isolamento existencial' faz pensar mais sobre a morte, diz estudo

Henrique Freitas, editado por Roseli Andrion 19/09/2019 21h09
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Fenômeno é potencializado pelo uso das redes sociais, que passam a sensação de que nossa visão de mundo não é compartilhada por mais ninguém

Com que frequência você pensa sobre a morte? Até certo ponto, considera-se saudável reservar uma fração dos pensamentos ao inevitável destino final, mas para tudo há limites. De modo geral, no entanto, as pessoas parecem muito mais consumidas por reflexões sobre o assunto atualmente e a ciência decidiu buscar uma resposta. A explicação pode estar na internet.


Muitos estudos mostram que redes sociais como Twitter, Facebook e Instagram podem nos fazer sentir, ao mesmo tempo, menos solitários e mais isolados. Embora isso pareça contraditório no que diz respeito à saúde mental, as evidências sugerem que um subproduto dessa mudança cultural é uma fixação maior pela morte. Essa obsessão seria resultado de um sentimento de ser incapaz de ver o mundo a partir de uma lente normal.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade do Arizona (EUA) conduziu um estudo para determinar se o isolamento existencial tem papel no "aumento da acessibilidade ao pensamento sobre a morte". Segundo a equipe, "indivíduos existencialmente isolados não sentem que suas visões de mundo são compartilhadas por outros. Assim, eles não obtêm validação social de suas ideias [...] e o pensamento relacionado à morte se torna mais recorrente".

O experimento

Em dois experimentos separados, centenas de participantes responderam a questionários projetados para determinar se aqueles que sofriam de isolamento existencial eram mais propensos a pensar sobre a morte. Os pesquisadores buscavam o que tinham maior índice de pensamentos sobre a morte em circunstâncias comuns.

Para determinar se os participantes eram socialmente isolados, o estudo exigia que eles respondessem a perguntas sobre como viam a si mesmos e se acreditavam que enxergavam o mundo da mesma maneira que os outros. O estudo também tentou determinar o quão revelante era, para os participantes, identificar-se ou não com sua própria cultura — no caso, a americana.

Depois de estabelecer o nível de isolamento existencial de cada um, os pesquisadores montaram uma série de quebra-cabeças com palavras incompletas. Os termos usados podiam ser concluídos de forma relacionada à morte ou não — como no exemplo "M - O - R - __ - __", que poderia completado como "morto" ou "morno".

Os resultados foram confusos. Enquanto um estudo mostrou relação direta entre o "aumento da acessibilidade ao pensamento de morte" e altos níveis de isolamento existencial, isso não se repetiu conclusivamente em um segundo estudo.

Em entrevista, Peter Helm, líder da pesquisa, explica os resultados. "Um grande problema é que os efeitos observados foram relativamente pequenos. Mesmo que o sentimento de isolamento existencial seja consistentemente associado a um amortecedor mais fraco ou fragmentado [contra a ansiedade], isso parecia representar apenas uma pequena porcentagem da variação."

Fonte: The Next Web

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