'Vamos dar um golpe em quem quisermos': tuíte de Musk gera polêmica

Questionado sobre a participação da Tesla em uma suposta influência dos EUA na renúncia do presidente boliviano Evo Morales em novembro passado, Musk incendiou debate nas redes sociais com comentário

Renato Mota, editado por Liliane Nakagawa 27/07/2020 12h07
Elon Musk
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Goste ou não, Elon Musk é uma das figuras que mais atrai atenção no cenário tecnológico atual. No Twitter, rede social favorita do bilionário sul-africano, 200 caracteres são suficientes para cravar uma notícia nos principais veículos de tecnologia do mundo no dia seguinte. E desta vez, não foi diferente, entre tuítes polêmicos acerca da pandemia, o último está relacionado a episódios diplomáticos - o empresário chamou a atenção neste fim de semana ao comentar intervenções estatais na economia. 


No último sábado (25), Musk foi questionado sobre sua suposta participação no que teria sido um golpe de estado orquestrado pelo governo dos Estados Unidos para remover Evo Morales da presidência da Bolívia. Rumores sobre o assunto foram ainda mais bombardeados com as palavras do empresário ao tuitar a frase: "vamos dar um golpe em quem quisermos! Lide com isso". 

Twitter/Reprodução

Imagem: Twitter/Reprodução

A alegação é de que a Tesla teria interesse em uma mudança no eixo de poder do país sul-americano como uma maneira de obter lítio mais barato para seus veículos elétricos - praticamente uma versão do século XXI da disputa por petróleo. Há quem veja nos comentários de Musk uma brincadeira (sem noção) e há quem enxergue uma confissão sincera. 

O ex-presidente Evo Morales está, definitivamente, no segundo grupo. "Elon Musk, dono da maior fábrica de carros elétricos, diz sobre o golpe na Bolívia: 'vamos dar um golpe em quem quisermos'. Outra prova de que o golpe foi devido ao lítio boliviano; e dois massacres como balança. Sempre defenderemos nossos recursos!”, escreveu em sua conta no Twitter.

Em novembro do ano passado, Morales renunciou à presidência após vários dias de protestos pelo país e acusações de irregularidades no processo eleitoral. Parte da militância favorável ao ex-presidente acusam o governo norte-americano de influenciar alguns dos movimentos internos, os quais pressionaram Morales a deixar o governo. Entretanto, o comentário de Musk ganha tom sério ao identificar os interesses norte-americanos na jazida de lítio em Uyuni, uma região que abriga 50% da reserva global do material.

Por outro lado, não há ligações entre o lítio usado pelas fábricas da Tesla e a produção boliviana. Em uma mensagem postada na sequência do seu comentário, Musk afirma que a maior parte do material usado pela montadora vem da Austrália. Em entrevista ao podcast Cleantech, o consultor para o mercado de lítio Rodney Hooper explicou que, embora a Bolívia tenha enormes reservas do material, "esses recursos são muito difíceis de converter em material com qualidade para uso em uma bateria, pois contêm altos níveis de magnésio".

"Separar o magnésio do lítio é um processo intensivo de produtos químicos e energia. Ainda está para ser determinado se a Bolívia pode produzir produtos químicos de lítio de qualidade economicamente aceitável ou mesmo de qualquer forma. O enorme recurso da Bolívia alimenta bem a narrativa equivocada de 'lítio é abundante'. O próprio Elon Musk tuítou que a questão não era sobre abundância, mas sobre a dificuldade de produzir um hidróxido de alta pureza", afirmou Hooper.

O mineral usado para criar carbonato de lítio ou hidróxido de lítio (este mais usado pela Tesla) é o concentrado de espodumênio - que é minerado na Austrália, mas processado na China antes de ser enviado para o Japão para a produção de baterias para carros elétricos. "As exportações de hidróxido das fábricas de conversão chinesas são responsáveis por mais de 80% do material usado na Coréia do Sul e no Japão", completa o analista.

@elonmusk  (Twitter/Reprodução)

Tuíte deletado por @elonmusk após a polêmica ganharem os portais de notícia. Imagem: Twitter/Reprodução

Horas depois da discussão, Musk apagou o tuíte original sobre a Bolívia. Posteriormente, o empresário voltou a falar no assunto, postando artigos e matérias explicativas sobre os movimentos sociais que culminaram nos acontecimentos de novembro de 2019.

Em resposta a um usuário boliviano, que fez o seguinte comentário sobre Morales: "cometeu fraude (das vezes) e esteve no poder por 14 anos, quando é legal fazê-lo por 5", Musk respondeu parabenizando o povo do país e completou a discussão elogiando a música 'Lithium' (lítio, em inglês), da banda Nirvana.

Via: Electrek/Cleantechnica

Twitter Política elon musk bateria de lítio
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