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Os planos de Apple e Google para 2020 já estão sobre a mesa. O Android 11 já teve todas as suas novidades expostas, enquanto o iOS 14 já foi apresentado durante a WWDC. E com isso é possível cravar com clareza: os dois nunca foram tão iguais quanto agora.
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Quem acompanha essa disputa de mercado há algum tempo sabe bem quais são os clichês de argumentação para cada sistema operacional. “O Android dá muito mais liberdade para o usuário, muito mais possibilidades de personalização”, “o iPhone é muito mais seguro, muito mais preocupado com a privacidade do usuário”. O ano de 2020 é o ano em que as barreiras estão caindo.
O Android iOS-ficado
O Android ainda é indiscutivelmente mais aberto do que o iOS, por mais que a diferença entre os dois sistemas esteja diminuindo. Mas é notável que o caminho do Google é cada vez mais seguir o caminho da Apple.
O maior exemplo desse caminho está no gerenciamento de permissões de aplicativos. O Android passou a levar a sério o que cada aplicativo pode ou não pode fazer depois de instalado após anos de apps que abusaram de permissões concedidas por usuários que não sabiam o que estavam fazendo. Agora é possível dar acesso temporário para apps, impedindo o uso indevido dos privilégios.
O sistema também se fechou um pouco mais. O Google tem progressivamente feito com que seja mais difícil instalar aplicativos por fontes alheias à Play Store, embora não bloqueie esse tipo de ação completamente. O Android 11 coloca ainda mais barreiras para apps de fontes desconhecidas, e não seria surpresa se em um futuro distante esse caminho seja bloqueado. Afinal de contas, esse canal pode ser útil para usuários experientes, mas é uma via preocupante de ataque para quem não domina tanto a tecnologia e pode se tornar uma ameaça à segurança dos dados.
O Google também está cada vez mais centralizador em relação ao Android, tirando das fabricantes cada vez mais poder de alteração sobre o sistema operacional, em nome de uma unidade do ecossistema de dispositivos, utilizando o acesso ao Google Mobile Services e seus aplicativos (a Play Store sendo o mais importante deles) como a principal moeda de troca para impor limitações. Do lado do consumidor, isso tem se refletido em aparelhos mais parecidos entre si, mas com a capacidade de receber atualizações mais prontamente em caso de emergência por meio do Google Play Services. É uma opção: menos liberdade, mais segurança.
O Google ainda tem um caminho longo para ter o controle que a Apple tem sobre sua plataforma, no entanto. A Play Store ainda precisa passar a filtrar com mais cuidado o que pode ou não ser publicado para evitar que apps mal intencionados alcancem o usuário final. Por enquanto, todos os meses descobrem-se malwares distribuídos pela Play Store.
O iOS Androidificado
Do lado da Apple, a empresa sempre foi conhecida pela expressão “walled garden” (“jardim entre paredes”), por permitir uma experiência de qualidade e segura… desde que o usuário não ousasse tentar fazer nada de diferente com seu celular. Não existe personalização no iOS. Ou não existia até agora.
O iOS 14 é um passo gigantesco em favor de dar mais liberdade de personalização para o usuário. Você quer novas formas de organizar os aplicativos na tela inicial? Você pode. Você nunca mais quer usar o Safari na sua vida, dando preferência para outro navegador padrão do sistema? Você pode.
São revoluções tecnológicas? Certamente não, mas é uma sinalização de mais liberdade para usuários do iOS e que podem fazer com que o sistema seja mais atraente para os entusiastas do Android. Entre comunidades de fãs do sistema do Google, uma das críticas mais feitas ao iPhone sempre foi a incapacidade de esconder ícones de aplicativos que não são usados regularmente e que não podem ser desinstalados. A “gaveta” de apps introduzida com o iOS 14 finalmente resolve essa questão.
Os widgets também dão mais liberdade para a configuração da tela inicial do aparelho, permitindo que ele assuma um visual da preferência do usuário, muito além de uma grade de ícone insossa. A ideia é a mesma do Windows Phone: os widgets não são apenas uma forma de interagir mais rapidamente com aplicativos, sem precisar abri-los; também são um modo de tornar um aparelho único.
Como o Google em relação a segurança e controle, a Apple ainda tem um bom caminho pela frente para igualar o Android em relação à personalização, mas o caminho está traçado. O iOS ainda pode avançar bastante em relação à definição de aplicativos padrão, por exemplo, mas parece uma rota sem volta.
É irreversível e natural
Existe uma frase atribuída a Steve Jobs que mostra o ponto em que estamos: “bons artistas copiam, grandes artistas roubam”. A frase descreve bem o momento da indústria: uma boa inovação de um sistema operacional invariavelmente será copiada dentro de um ou dois anos pelo concorrente.
É um sintoma do amadurecimento do mercado de smartphones. Tanto Android quanto o iOS já são excelentes dentro de suas propostas, e há pouco espaço para manobra. Resta às empresas um caminho: melhorar os pontos em que o concorrente se destaca mais.
Então, sim, veremos o Google seguir o caminho da segurança e das promessas de privacidade para contrabalancear o domínio da Apple entre quem privilegia esse ponto na hora de comprar um celular. E veremos a Apple dar mais liberdade ao consumidor para quem gosta de ter um aparelho único, de forma como só o Android pode oferecer atualmente. O resultado disso são dois sistemas cada vez mais parecidos no longo prazo.