Após defender execução de Snowden, Trump ameniza tom contra ex-NSA

O presidente americano afirmou estar disposto a avaliar o caso de Edward Snowden e disse que diversos assessores contestam a 'traição' de ex-membro das agências de inteligência

Da Redação, editado por Liliane Nakagawa 17/08/2020 09h00
Donald Trump
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Os discursos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre Edward Snowden, ex-NSA e CIA, parecem ser bem contraditórios. Desde 2013, Trump vem defendendo a execução por ter divulgado um esquema no qual os EUA mantinham um programa de vigilância em massa. No entanto, na última quinta-feira (13), o presidente americano amenizou o tom e disse ter ouvido diversas manifestações de seus assessores dizendo que Snowden pode estar sendo injustiçado.


Antes do seu encontro para debater o caso Snowden, Trump preferiu não opinar sobre o fato. "Tem muita gente pensando que ele não está sendo tratado com justiça. Quer dizer, eu ouvi isso", disse o presidente ao The Post.

Após a reunião, Trump não deu maiores explicações sobre as discussões, apenas disse se disponibilizaria em avaliar o caso e afirmou que as opiniões ouvidas sobre Snowden se dividem entre 'traidor' e 'perseguido'.

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Trump parece demonstrar tom favorável para o retorno de Edward Snowden aos EUA, sem maiores retaliações. Foto: Shealah Craighead/Divulgação

 

Antes de assumir o cargo, Trump tratou Snowden como traidor, exigindo sua execução ao menos 45 vezes em seus tuítes. O abrandamento no discurso, porém, pode ter um motivo: o desejo de Trump em acessar registros do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, ainda mais em um período que antecede as eleições presidenciais americanas.

Em 2013, Trump chegou a postar no Twitter que Snowden é um espião e que deveria ser executado, mas poderia se tornar um grande fã dele, caso ele revelasse registros de Obama.

 

 

Entenda o caso Snowden

Ex-membro da NSA (Agência de Segurança Nacional) e CIA (Agência Central de Inteligência), Edward Snowden chocou o mundo após divulgar que o grupo "Five Eyes" — formado por órgãos de segurança dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Canadá — trabalhava para o enfraquecimento das leis de espionagem.

Com o vazamento de documentos confidenciais, Snowden confirmou que os países atuavam em conjunto com gigantes de telecomunicações, acessando e vigiando a comunicação de usuários de qualquer país no mundo. 

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Edward Snowden foi responsável por divulgar violações do grupo Five Eyes contra redes de milhões de usuários. Foto: Elena Polio/Flickr

 

Com a divulgação bombástica e já fora do seu país natal, Edward Snowden chegou a enviar pedidos de  asilo para mais de 21 países, inclusive o Brasil. Ele conseguiu assegurar asilo na Rússia — que prometeu não extraditá-lo para os EUA — e onde vive há sete anos. 

A equipe jurídica de Snowden já tentou negociar um retorno aos Estados Unidos sob garantia de anistia (sem a prisão do ex-membro da CIA), mas o acordo não obteve sucesso.

O aceno de Donald Trump mostrou-se favorável para uma repatriação de Snowden, mas não se sabe ao certo quais seriam as reais intenções do presidente americano e nem se a operação demandaria alguma exigência.



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