Cientistas descobrem possível capacidade humana de regenerar a retina

Pesquisa comparou genes de peixes e outras espécies de animais com genes humanos; padrão de crescimento no tecido cerebral pode apenas ter sido perdido durante evolução

Leticia Riente, editado por Fabiana Rolfini 08/10/2020 11h04
Cientistas descobrem possível capacidade humana de regenerar retina
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Um artigo publicado na revista Sciencie sugere ser possível que humanos regenerem sua retina, assim como fazem algumas espécies de animais. Isto porque o homem possui pelo menos 70% dos mesmos genes que peixes-zebra, por exemplo, justamente o que se é necessário para regenerar a membrana. Vale destacar que o dano à retina é a principal causa de cegueira no mundo e afeta milhões de pessoas todos os anos.


Ao contrário dos peixes, os seres humanos são incapazes de regenerar ou até mesmo reparar lesões na retina. "A regeneração parece ser o status padrão, e a perda dessa capacidade aconteceu em vários pontos da árvore evolucionária", explica o neurocientista, Seth Blackshaw, da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos.

Reprodução

Cientistas acreditam que humanos tenham perdido a capacidade de regenerar a retina durante a evolução. Créditos: Irina Bg/Shutterstock

Funcionamento da retina

Para entender como seria este processo de reparação da camada fina de tecido cerebral, é preciso compreender o que é a retina e qual seu papel na nossa visão e corpo. Trata-se de uma parte dos nossos olhos que reage à luz. Possui bastonetes detectores de claridade, células cônicas, neurônios e sinapses que transmitem informações ao nosso cérebro. Resumidamente, a retina é um tecido cerebral que acaba na parte de trás dos nossos olhos, resultando em uma região importante do nosso sistema neural central.

É também na retina que podemos encontrar as células de glia de Müller, que tem como função suportar os neurônios da membrana e realizar sua manutenção. Mas o fato é que em alguns peixes e répteis, estas células também regeneram neurônios. Mas isso ainda não ocorre em mamíferos.

Com o objetivo de reverter este quadro e dar mais uma oportunidade para quem perdeu a visão, o neurocientista Thanh Hoang, também da Johns Hopkins, observou como as células de glia de Müller se comportam em algumas espécies de animais, como peixes-zebra e camundongos, diante de lesões.

Descobertas

Durante o estudo, o cientista descobriu que os genes ativados estavam envolvidos na contenção da lesão, atraindo células do sistema imunológico para limpar o tecido prejudicado e combater possíveis invasores. Mas o processo ficou ainda mais interessante quando foi possível perceber uma rede que suprime esses genes entrando em ação, mas apenas em camundongos, o que impediu-os de transformar em células e fazer crescer novamente a retina.

Os estudiosos também notaram que, após uma lesão na membrana, as células de glia nas espécies observadas pararam de produzir o fator nuclear I (NFI). Trata-se de uma proteína que impede que a célula acesse pedaços de DNA, essencialmente desligando genes.

Mas em ratos, por exemplo, essa molécula começou a aparecer novamente. Ao identificar o fenômeno, os cientistas pararam as células de glia de Müller produzindo NFI e as células iniciaram um processo de produção de neurônios de retina.

Reprodução

Pequisa visualizou como ocorre a produção de neurônios de retina em ratos. Crédito: Kate Studio/Shutterstock

"Nossa pesquisa indica que o potencial de regeneração existe em mamíferos, incluindo humanos, mas alguma pressão evolutiva o desligou", destacou Seth Blackshaw.

Com os resultados obtidos na pesquisa, a equipe de cientistas acredita que a perda da capacidade de regenerar a retina pode estar ligada a uma compensação entre a regeneração das células do sistema nervoso central e a resistência do parasita.

Cabe destacar ainda que um estudo anterior mostrou que sinais que causam inflamação para evitar infecções também impedem as células de glia de se transformarem em produtoras de neurônicos.

O cientista finaliza afirmando que o ser humano ainda está muito longe de ter plena capacidade para desenvolver uma retina substituta e que a equipe ainda precisa estender as pesquisas. Mas, de qualquer forma, a compreensão desta regeneração da retina pode permitir o desenvolvimento de terapias mais assertivas para restaurar neurônios da membrana em casos de doenças degenerativas.

Via: Science Alert


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