Cientistas usam cabelo humano para criar dispositivos OLED flexíveis

Fios são quebrados e aquecidos a uma temperatura específica, formando 'nanoilhas' de carbono que se acendem com tensão elétrica
Vinicius Szafran 08/06/2020 19:15, atualizada em 08/06/2020 19:50
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Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT) e da Universidade Griffith, ambas da Austrália, desenvolveram um método que transforma fios de cabelo em nanodots de carbono (pequenos pontos uniformes com um milionésimo de milímetro). A partir dos filamentos, os cientistas fabricaram dispositivos flexíveis que emitem luz.

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De acordo com os autores do estudo publicado na revista científica Advanced Materials e principais pesquisadores da QUT Center for Materials Science, o professor associado Prashant Sonar e o professor Kostya Ostrikov, esta é a primeira pesquisa que transforma o desperdício de cabelo humano em nanomaterial de carbono altamente luminescente.

Os nanodots gerados foram uniformemente dispersos em um polímero e, em seguida, permitiu-se que eles se redistribuíssem, formando “nanoilhas” (pequenos agrupamentos de nanodots). A formação de ilhas preserva a emissão de um material no estado sólido, algo essencial para incorporar um nanomaterial a qualquer dispositivo. Essas ilhas foram utilizadas como uma camada ativa em dispositivos OLED. Com uma pequena tensão elétrica, foi possível fazer o dispositivo emitir uma luz azul, como mostra o vídeo abaixo:

Segundo o professor Sonar, esse tipo de acessório pode ser utilizado em embalagens inteligentes. “Eles também podem ser usados onde uma pequena fonte de luz é necessária, como em sinais ou faixas inteligentes, e em dispositivos médicos devido à não toxicidade do material”, explica.

Além disso, ainda pode haver muitos usos para displays OLED flexíveis pequenos e baratos em dispositivos IoT (Internet das Coisas). Um exemplo hipotético é uma garrafa de leite inteligente, com um sensor interno que fornece em tempo real uma atualização sobre a expiração da bebida e exibe essas informações em uma tela na parte externa.

Por que cabelos?

A razão por trás da escolha de fios de cabelo, segundo o professor, se deve as suas propriedades, o  carbono e o nitrogênio, essenciais para obter partículas emissoras de luz. Outro fator determinante foi o uso prático para evitar que os cabelos terminassem em aterros sanitários.

O cabelo humano é composto por proteínas, incluindo a queratina, que se decompõe com o aquecimento controlado. O material restante após o aquecimento a 240 ºC tem carbono e nitrogênio incorporados em sua estrutura molecular, favorecendo suas propriedades eletrônicas.

Reprodução

Professor associado Prashant Sonar e Amandeep Singh Pannu. Imagem: Universidade de Tecnologia de Queensland

Segundo Sonar, os nanodots de carbono feitos a partir de cabelo não brilham o bastante para serem usados em telas de TVs, mas podem aparecer em uma série de displays flexíveis, de embalagens inteligentes a dispositivos portáteis. O próximo passo, de acordo com o ele, é tentar obter os mesmos resultados usando pelos de animais. 

Além disso, a parceria com o professor Qin Li, também da Universidade Griffith, rendeu um outro estudo, dessa vez sobre o uso de pontos de carbono extraídos do cabelo humano para o tratamento de água, sendo esses parte de um sensor que monitora os níveis de clorofórmio na água em tempo real.

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De acordo com os pesquisadores, esses pontos respondem com alta seletividade e sensibilidade à presença de clorofórmio, subproduto do cloro quando utilizado para desinfecção da água. Para se ter uma ideia em números, segundo a OMS, o limite seguro de clorofórmio em água potável é de menos de 300 partes por bilhão. 

 

Via: Phys.org

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Vinicius Szafran

Vinicius Szafran é redator(a) no Olhar Digital

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