Denúncia de assédio gera nova campanha de boicote à Uber

A denúncia de que a Uber opera sob um problema sistêmico de assédio contra mulheres virou combustível para uma segunda campanha de boicote contra o serviço prestado pela companhia.

Desde domingo, 19, quando a ex-engenheira Susan J. Fowler publicou um desabafo sobre como teve sucessivas reclamações de abuso ignoradas dentro da Uber, mais de 3.300 pessoas foram ao Twitter levantar o #deleteuber, de acordo com a plataforma Keyhole. Até agora, a campanha gerou 62,2 milhões de impressões e atingiu mais de 48,3 mil pessoas.

Isso levanta um sinal amarelo para a companhia, porque a última ação organizada contra a Uber fez com que ela perdesse 200 mil usuários. O movimento, gerado em resposta a um possível engano em relação à forma como funciona o sistema de pagamentos do aplicativo, foi tão violento que a Uber teve de automatizar o processo de descadastramento para atender à demanda.

Na manhã de segunda-feira, 20, o CEO da empresa, Travis Kalanick, enviou um memorando aos funcionários para explicar como está lidando com a nova polêmica. A Uber contratou Eric Holder, que foi procurador-geral dos Estados Unidos sob a gestão Barack Obama, e Tammy Albarran, sua parceira na firma de advocacia Covington & Burling, para conduzirem uma investigação independente em relação a pontos específicos denunciados por Susan no domingo. A ideia é focar nos problemas sistêmicos apontados por ela.

"Junto com eles estará Arianna Huffington, que faz parte do corpo diretor da Uber, Liane Hornsey, nossa recém-contratada chefe de recursos humanos, e Angela Padilla, nossa conselheira geral associada", escreveu Kalanick na carta, que foi obtida pelo TechCrunch. "Espero que eles conduzam essa análise rapidamente."

No que pareceu uma tentativa de amenizar a imagem da Uber, o CEO ressaltou que outros atores do mercado de tecnologia enfrentam problemas para melhorar a participação feminina entre seus quadros de engenharia, desenvolvimento de produtos e ciência. 15,1% dos empregados da Uber nessas áreas são mulheres. "Como pontos de referência, Facebook tem 17%, Google, 18% e Twitter, 10%", afirmou ele de forma errônea, já que no Twitter o percentual é de 15% e, no Google, 19%.

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