Huawei

EUA deve ganhar crédito por fazer propaganda para Huawei, provoca CEO

Beatriz Trevisan, editado por Camila Rinaldi 27/03/2019 09h00
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Eric Xu, CEO da Huawei, disse em entrevista coletiva que a receita da empresa cresceu 36% nos dois primeiros meses de 2019, mesmo depois das acusações sofridas pela empresa nos EUA

Em uma entrevista coletiva na sede da Huawei, em Shenzhen, na China, o CEO da empresa, Eric Xu, revelou que os resultados financeiros da gigante chinesa não foram impactados, até agora, pelas tentativas dos Estados Unidos de incentivar outros países a proibir a venda de equipamentos da companhia.


Segundo cobertura da Reuters, o CEO afirmou que a receita da Huawei cresceu 36% nos dois primeiros meses de 2019. Além disso, a pretensão da empresa é alcançar uma meta de 15% de crescimento anual, atingindo US$ 125 bilhões. Xu destacou a força da gigante de tecnologia no mercado de smartphones e as vendas de redes de computação e comunicações, como a tecnologia 5G. A Huawei é a maior produtora mundial de equipamentos de telecomunicações e a segunda maior fabricante de celulares.

Xu aproveitou a subida dos números da Huawei para responder ironicamente aos ataques dos Estados Unidos à empresa. "Os Estados Unidos devem receber muito do crédito [pelo aumento da receita] devido aos anúncios que estão fazendo para a Huawei", disse o executivo, fazendo uma piada sobre a visibilidade que as objeções e acusações dos EUA acabaram dando aos produtos da gigante chinesa.

O governo norte-americano estabeleceu campanha contra a Huawei em uma tentativa de influenciar outros países a não usarem e venderem equipamentos da empresa. A alegação dos EUA é de que a corporação é uma ameaça à segurança nacional porque teria uma relação estreita com o governo da China. Essa proximidade, segundo o país, levaria a companhia a usar seus produtos para espionar e acessar dados de empresas e cidadãos das nações que usam seus dispositivos e rede 5G.

Antes disso, a CFO (diretora financeira) da corporação, Meng Wanzhou, filha do fundador Ren Zhengfei, foi acusada de fazer negócios fraudulentos com o Irã entre 2009 e 2014, violando as sanções econômicas impostas contra o país pelos EUA. A investigação resultou na prisão de Wanzhou por autoridades canadenses em dezembro de 2018 e, até o momento, ela aguarda pelo julgamento.

Essas acusações, combinadas com investigações criminais contra a empresa, mantiveram a Huawei como um dos assuntos principais na área de tecnologia no ano passado.

Até agora, porém, apenas a Austrália se juntou aos EUA na proibição, ainda parcial, de equipamentos e tecnologia 5G da Huawei. Por outro lado, países da União Europeia, como a Alemanha, França e Reino Unido indicaram pretensões de ignorar o aviso dos EUA. "Estamos vendo um grande número de países tomando suas próprias decisões", disse Xu.

Além disso, o CEO afirmou que não espera que os EUA tentem proibir a venda dos produtos da Huawei no país. A empresa é a terceira maior compradora de chips de computadores do mundo, muitos destes adquiridos em companhias norte-americanas. Por isso, segundo Xu, barrar as vendas seria prejudicial não só para os negócios da Huawei, mas para a indústria global de tecnologia.

Porém, ao mesmo tempo em que o executivo torce para que os EUA não intensifiquem suas políticas contra a Huawei, a empresa abriu processo contra o governo norte-americano por banir o uso de seus produtos em agências federais do país.

Além disso, os advogados de Meng Wanzhou estão processando o governo canadense pela sua prisão, realizada a mando dos EUA, em dezembro do ano passado. Wanzhou negou acusações de fraudes e espionagem, mas segue em prisão domiciliar no Canadá. 

Na sexta-feira, 29, a Huawei vai realizar uma das maiores conferências de imprensa da sua história, com a presença de mais de 100 jornalistas, para divulgar relatórios financeiros detalhados de 2018. De acordo com comentários do CEO, o material deve mostrar que a empresa está ficando cada vez maior e mais bem-sucedida.


Fonte: Reuters

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