Facebook derruba rede de desinformação que mirava a esquerda nos EUA

Objetivo da organização sediada na Rússia, de acordo com a investigação da rede social, era minar o apoio à candidatura do democrata Joe Biden pela Casa Branca

Renato Mota 01/09/2020 19h09
Black Lives Matter
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O Facebook retirou do ar 13 contas e duas páginas criadas por uma rede de influência russa com o objetivo de minar a candidatura à presidência do democrata Joe Biden entre os eleitores mais identificados com a esquerda nos Estados Unidos. A rede, centrada em uma falsa organização mídia chamada Peace Data, chegou a recrutar jornalistas norte-americanos para escrever artigos.


De acordo com a rede social, a operação se concentrou no clima político dos EUA e nas tensões raciais causadas pelos recentes incidentes em todo país para influenciar as eleições presidenciais de 3 de novembro. As contas foram suspensas por usar identidades falsas e outras formas de "comportamento coordenado e inautêntico", disse a empresa.

A investigação promovida pela empresa "encontrou links para indivíduos associados a atividades anteriores da Agência Russa de Pesquisa na Internet", uma empresa com sede em São Petersburgo que, de acordo com funcionários de inteligência dos EUA, foram fundamentais para os esforços russos para interferir nas eleições presidenciais de 2016.

O Twitter também suspendeu cinco contas como parte da operação. A ação das duas redes sociais foi motivada por uma denúncia do FBI. A Peace Data não emitiu nenhum comunicado oficial, e o governo da Rússia negou anteriormente as alegações de que teria tentado influenciar as eleições, e assegura que não interfere na política interna de outros países.

Paralelamente, o Facebook retirou do ar uma rede de desinformação associada a uma empresa de relações públicas com sede em Washington que teria gastado milhões de dólares para atingir usuários na América Latina. O conteúdo incluía postagens de apoio à oposição política na Venezuela e ao governo interino da Bolívia, bem como críticas a um partido político mexicano.

Esquerda no alvo

A empresa de análise de mídia social Graphika, responsável pela investigação, afirma que o Peace Data visava predominantemente grupos progressistas e de esquerda nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, mas também fizeram publicações sobre eventos em outros países, incluindo Argélia e Egito. 

Trevor Bexon/Shutterstock

O candidato do Partido Democrata à presidência dos EUA, o ex-vice presidente Joe Biden. Imagem: Trevor Bexon/Shutterstock

Um relatório indica que o grupo postou mensagens críticas às personalidades da direita e da centro-esquerda nos Estados Unidos "prestando atenção especial às tensões raciais e políticas", incluindo protestos pelos direitos civis e críticas ao presidente Donald Trump e seu rival democrata, Joe Biden. Apenas cerca de 5% dos artigos em inglês da Peace Data diziam respeito diretamente à eleição dos EUA, mas "esta faceta da operação sugere uma tentativa de construir um público de esquerda e desviá-lo da campanha de Biden", afirma a Graphika.

Entre os alvos estavam Biden e sua vice, Kamala Harris, que nas publicações foram criticados pela falsa rede como "'ferramentas imorais de conservadores políticos". Algumas publicações também criticaram Donald Trump, mas o público-alvo nos Estados Unidos eram socialistas democratas, ambientalistas e democratas insatisfeitos, concluiu o relatório da Graphika.

"O conteúdo relacionado a Biden e Harris foi notável por seu tom hostil. Um artigo acusou a dupla de 'submissão ao populismo de direita' tanto para preservar carreiras quanto para ganhar votos. A operação parecia projetada para dividir os apoiadores democratas e diminuir o apoio a Biden e Harris", explicou Camille François, diretora de inovação do Graphika.

Ação rápida teve impacto no alcance da rede

O alcance da operação da Peace Data foi relativamente pequeno. O chefe de política de segurança cibernética do Facebook, Nathaniel Gleicher, disse que quando a empresa suspendeu as contas, apenas 14 mil pessoas estavam entre os seguidores. "Quero que as pessoas saibam que os agentes russos ainda estão tentando [influenciar as eleições] e suas táticas estão evoluindo, mas não quero que as pessoas pensem que esta foi uma campanha grande e bem-sucedida", disse Gleicher à Reuters.

Graphika/Reprodução

Perfis falsos criados pela Peace Data para se passarem por editores do site. Imagem: Graphika/Reprodução

A Peace Data publicou mais de 700 artigos em inglês e árabe entre fevereiro e agosto deste ano, e afirma em seu site que é uma organização de notícias sem fins lucrativos que busca "a verdade sobre os principais eventos mundiais". Porém, de acordo com a Graphika, três funcionários permanentes listados online não são reais. Os perfis usavam fotografias geradas por computador de pessoas inexistentes e estavam vinculadas a contas falsas no Facebook, Twitter e no LinkedIn.

Outros 22 redatores foram recrutados em sites de jornalismo freelance, que ofereciam até US$ 75 por artigo. O Facebook e o Graphika disseram que não havia indicação de que esses jornalistas soubessem quem estava por trás do site.

Via: Reuters/Washington Post


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