Protestos - Hong Kong

Manifestantes usam laser contra câmeras de reconhecimento facial

Beatriz Trevisan, editado por Liliane Nakagawa 01/08/2019 22h20
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Apreço pela privacidade em Hong Kong leva protestantes a se mobilizarem contra um regime famoso por ter um sistema de vigilância massivo e equipado com avançadas tecnologias faciais

Desde junho, cerca de 2 milhões de manifestantes em Hong Kong - cidade com população de sete milhões de habitantes - protestam contra um projeto de lei de extradição de suspeitos de crimes à China continental (onde a polícia e os tribunais respondem ao Partido Comunista) e pelo apreço por privacidade, questão que não se limita ao campo do reconhecimento facial e não apenas afeta manifestantes. 


Mesmo após o governo autônomo ter decidido, há oito semanas, suspender por tempo indeterminado o Projeto de Lei de extradição, as mobilizações continuam. De acordo com a postagem do vídeo do protesto feito pela jornalista freelance Alessandra Bocchi, os manifestantes estão enfrentando a polícia com lasers para evitar câmeras de reconhecimento facial. 

"Os manifestantes de Hong Kong estão em outro nível. Aqui eles estão usando lasers para evitar câmeras de reconhecimento facial. Uma guerra cibernética contra a inteligência artificial chinesa", descreveu Bocchi no tuíte.

Hong Kong, uma ex-colônia britânica, foi reintegrada ao território e soberania chineses em 1997 sob a condição de ter seus direitos autônomos respeitados. Um acordo internacional conhecido como "um país, dois sistemas" foi assinado entre Reino Unido e China, e regulamenta a relação da cidade com o governo central em Pequim. Por isso, o território foi convertido em uma "região administrativa especial" e desfruta de leis diferentes da constituição chinesa. 

O problema é que o contexto de liberdades civis da ilha, como liberdade de imprensa, possui muitas diferença com a China continental, onde o política se centraliza nas mãos de Xi Jinping. É esse afastamento social que os manifestantes em Hong Kong reivindicam: defendem a autonomia legal da cidade e seus espaços de liberdade frente ao regime comunista chinês, que tenta realizar uma convergência, lenta, mas implacável entre os dois.

Reprodução

O regime chinês é conhecido por ter um sistema de vigilância massiva com avançadas tecnologias de reconhecimento facial e corporal dos cidadãos. Contra ao ataque à privacidade civil, os participantes da paralisação geral ("Greve 612") estão usando lasers contra os oficiais de segurança, para evitar ser identificado pelas câmeras de vigilância da polícia de Hong Kong e se tornar um possível alvo de prisão.

Identidade de policiais são expostas no Telegram

A defesa pela privacidade cresce em Hong Kong e não se limita ao reconhecimento facial, nem preocupa apenas os manifestantes. Estes, em represália à tecnologia de vigilância das autoridades chinesas, começaram a expor a identidade dos policiais de Hong Kong em um canal de mensagens no Telegram.

Chamado "Dadfindboy", o canal já tem mais de 73 mil participantes, defende ações violentas e é usado para coordenar a busca e publicar informações pessoais dos policiais e suas famílias. Canais pró-governo também foram criados para procurar manifestantes e os desmascarar e baseiam em um discurso igualmente agressivo e violento.

Duas semanas atrás, um dos participantes dos protestos, Colin Cheung, foi preso por suspeita de "conspirar e incitar assassinatos" e de ser um dos fundadores do "Dadfindboy". A primeira atitude da polícia ao detê-lo foi imobilizar sua cabeça para tentar desbloquear seu iPhone usando o sensor de reconhecimento facial do dispositivo. O que foi inútil, pois Cheung conseguiu desativar o sistema antes de as autoridades utilizá-lo.

Ele negou ser o criador do canal do Telegram e, segundo reportagem do The New York Times, acredita ter sido alvo da polícia por ter desenvolvido uma ferramenta que compara imagens entre um conjunto de fotos de policiais para encontrar combinações – projeto que ele diz ter abandonado. Autoridades veem o recurso como um modo de 'contra-vigilância facial'.

Via: Xataka/The New York Times

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