Queixas de 'Golpe do Delivery' no Procon somam R$ 600 mil em débitos

Órgão orienta consumidores a nunca inserirem a senha de cartões em maquininhas com visor danificado; segundo o Procon, é necessário redobrar a atenção em tempos de pandemia

Victor Pinheiro 03/08/2020 17h08
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Pelo menos 125 pessoas já apresentaram denúncias ao Procon-SP contra golpes praticados por entregadores de aplicativos de entrega. Em alerta publicado nesta sexta-feira (31), a instituição afirmou que as queixas já somam mais de R$ 600 mil em valores debitados indevidamente.


O golpe mais comum acontece no momento da cobrança física de pedidos contratados nas plataformas de delivery. O entregador apresenta ao usuário uma maquininha fraudulenta com o visor danificado e insere um valor de cobrança muito maior do que o correspondente ao pedido. Muitas vezes, eles justificam que o equipamento foi danificado durante outras entregas e ainda não foi substituído.

Sem a possibilidade de verificar a quantia, o consumidor digita a senha e confirma o pagamento. Para não levantar suspeitas, o próprio entregador paga a compra original na máquina do restaurante. Quando a vítima percebe, já é tarde demais.

De acordo com o Procon-SP, a orientação para evitar esse tipo de golpe é não utilizar máquinas danificadas e sempre conferir o valor digitado no momento da cobrança. A instituição ainda ressalta a importância de verificar se a senha está sendo digitada na tela correta. "Lembre-se que o campo de senha mostra apenas asteriscos, nunca os números digitados", diz o comunicado.

O alerta também chama atenção para outro golpe, em que o consumidor recebe uma ligação do restaurante solicitando dados de cartão para o pagamento de uma suposta taxa de entrega. Nesse caso, o Procon destaca que usuários nunca devem passar seus dados por telefone a restaurantes ou aos aplicativos. "É preciso redobrar a atenção nesse momento de pandemia, em que criminosos aproveitam a vulnerabilidade das pessoas.", afirma o órgão.

Inquérito em andamento

Em maio, o Procon-SP acionou o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) para instaurar um inquérito policial com o intuito de investigar as responsabilidades dos aplicativos iFood e Rappi em relação aos golpes praticados por entregadores das plataformas.

No comunicado publicado nesta sexta, o órgão disse que "apesar de das empresas alegarem que os entregadores são profissionais independentes sem vínculo jurídico-trabalhista, o Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor tem responsabilidade solidária pelos atos de seus representantes autônomos.".

O que diz o iFood

Em resposta à Agência Brasil, o iFood afirmou, por nota, que já prestou esclarecimentos ao Procon no passado e não obteve respostas formais da instituição e segue à disposição. Além disso, o aplicativo disse que já apresentou informações ao DPPC no âmbito do inquérito policial em andamento.

A companhia ressaltou que, em nenhuma hipótese, é exigido pagamento adicional presencial no momento da entrega do pedido e recomendou que consumidores não insiram a senha de cartões sem que a máquina esteja em condições de exibir claramente o valor da cobrança.

No caso de dúvidas sobre a quantia paga em uma transação, o app afirmou que o consumidor deve verificar a quantia debitada por meio do aplicativo do seu banco assim que a transação for confirmada.

O iFood ainda orienta consumidores afetados por fraudes em sua plataforma a registrarem boletim de ocorrência e a entrarem em contato com a companhia pelos canais oficiais de atendimento ao cliente no aplicativo, enviando o B.O e extrato bancário. A empresa ressaltou ainda que repudia qualquer desvio de conduta, seja por parceiros de entrega, estabelecimentos ou usuários finais.

O que diz o Rappi

O Rappi, por sua vez, afirmou à Agência Brasil que não opera com máquinas de cartão de crédito ou débito e que não pratica nenhuma cobrança de taxa adicional na entrega. A empresa disse que está à disposição dos órgãos competentes e acrescentou que orienta todos os parceiros a cumprirem integralmente regras e leis, assim como rechaça qualquer tipo de conduta contrária.

A plataforma ainda destacou que oferece um canal de atendimento ao cliente para receber relatos de qualquer problema com o serviço e recomenda que vítimas registrem boletim de ocorrência e solicitem o pedido de cancelamento da transação na operadora de cartão de crédito. À Agência Brasil, a Rappi disse que "sempre analisa os casos reportados" e toma providências de acordo com os Termos de Condições do aplicativo.

Via: Agência Brasil


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