Cientistas criam ‘água-viva ciborgue’ para explorar os oceanos

Pesquisadores americanos criaram uma 'prótese microeletrônica' que faz os animais nadarem três vezes mais rápido
Vinicius Szafran 31/01/2020 18:44, atualizada em 31/01/2020 19:44
20200131034619

Uma equipe de pesquisadores conseguiu dar mais potência às águas-vivas. Os cientistas americanos criaram uma “prótese microeletrônica” que ajuda os animais a nadar até três vezes mais rápido que o normal, enquanto gastam menos energia metabólica.

Continua após a publicidade

O dispositivo mede aproximadamente dois centímetros de diâmetro e é acoplado ao corpo do animal com uma pequena palheta de madeira. Os pesquisadores de Stanford e da Caltech, envolvidos no projeto, planejam equipar sensores nas medusas para que seja possível explorar e coletar informações sobre o oceano.

“Apenas 5% a 10% do volume do oceano foi explorado, por isso queremos aproveitar o fato de que a água-viva já está em toda parte para dar um salto”, explicou Jhon Dabiri, líder do estudo.

Reprodução

“Se conseguirmos encontrar uma maneira de direcionar essas águas-vivas e também equipá-las com sensores para rastrear coisas como temperatura do oceano, salinidade, níveis de oxigênio, poderíamos criar uma rede oceânica verdadeiramente global, onde cada um dos robôs água-viva custa alguns dólares para instrumentar e alimentar a energia que já está no oceano”, disse Nicole Xu, outra cientista envolvida com a pesquisa.

A prótese dos animais é revestida com uma película plástica à prova d’água e alojada com pesos de cortiça para mantê-la flutuando, sem atrapalhar a locomoção das medusas. Esta nova tecnologia consiste em um mini processador, bateria de polímero de lítio e dois elétrodos com LED para indicar visualmente a estimulação.

As águas-vivas nadam utilizando um movimento de pulsação, que expele a água e as empurra para frente, a cerca de dois centímetros por segundo. O equipamento produz impulsos elétricos para regular e acelerar essa pulsação, semelhante à maneira como um marcapasso cardíaco regula a frequência do coração. Com a prótese, os animais conseguem nadar a uma velocidade entre quatro e seis centímetros por segundo.

Também foi descoberto que os impulsos elétricos ajudaram a nadar com mais eficiência, porque elas usavam apenas do dobro da energia para fazê-lo. Isso foi medido pela quantidade de oxigênio consumida pelos animais durante a movimentação.

“De fato, as águas-vivas equipadas com próteses eram mil vezes mais eficientes do que os robôs nadadores”, contou Xu. “Mostramos que eles são capazes de se mover muito mais rápido que o normal, sem custos excessivos em seu metabolismo”.

O próximo passo para os pesquisadores é desenvolver um sistema que guie a água-viva para direções específicas e permita que elas respondam aos sinais dados pelo sensor.

Via: FayerWayer

V
Vinicius Szafran

Vinicius Szafran é redator(a) no Olhar Digital

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email