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Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) aponta que o número de casos de Covid-19 no Brasil é entre oito e dez vezes maior do que a quantidade confirmada oficialmente pelo Ministério da Saúde.

Até a manhã desta terça-feira (9), o país registrava 711 mil infecções, segundo dados publicados pelo consórcio de veículos da imprensa. Com base nestes números, o Brasil somaria entre 5,6 e 7,1 milhões de contaminações pelo novo coronavírus.

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Conforme informações do UOL, a pesquisa utilizou um modelo computacional que relaciona o número oficial de óbitos com a taxa de letalidade – isto é, a proporção entre o número de mortes e o total de casos registrados da doença. O estudo comparou o índice de mortalidade do Brasil, atualmente em 5,5%, com as taxas de outros países e regiões que promoveram testagens em massa, como a Coreia do Sul e a cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Em ambas localidades, a letalidade do vírus registrada é de cerca de 1%.

Reprodução

Pandemia do novo coronavírus provocou mais de 408 mil em 188 países e regiões. Imagem: Wikicommons

“Quando publicamos nossa primeira nota técnica, em 30 de março, as estimativas eram de que a subnotificação era de 12 vezes”, disse um dos autores do estudo, o professor da UFJF Rodrigo Weber do Santos, em entrevista ao UOL. “De lá para cá o Brasil tem feito mais testes. Por isso que a previsão é de que o número oficial de infectados estaria subnotificado entre oito e dez vezes neste momento”.

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De acordo com Santos, o grupo de pesquisadores envia notas técnicas e relatórios para a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a pedido do próprio órgão governamental. Ele diz ainda que um estudo com as projeções dos cientistas já foi publicado na revista “Chaos, Solitons & Fractals”, da editora Elsevier, e outro trabalho está em fase de aprovação de uma publicação científica internacional.

Isolamento Social

O artigo dos pesquisadores da UFJF e do CEFET ainda aponta para deficiência de políticas de isolamento social no Brasil. A média de redução de contatos no país registrada em abril corresponde a 40%. O índice é bastante inferior se comparado a números da Itália e da Coreia do Sul, que reduziram o contato social em 75% e 90% no mesmo período, respectivamente.

“Essa caracterização da Covid-19 nesses diferentes países, cenários e fases da pandemia apoia a importância de políticas de mitigação, como o distanciamento social”, reforça a pesquisa.

Fonte: UOL