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Mais de 40 países proibiram a entrada de pessoas vindas do Reino Unido, receosos com a disseminação da nova variante do coronavírus descoberta na região. Voos estão sendo suspensos em países como Espanha, Índia e Canadá, enquanto a França fechou sua fronteira por 48 horas, impedido a saída de caminhões e balsas do porto de Dover.

Segundo especialistas britânicos, a variante do coronavírus não é mais letal que outras mutações, mas é até 70% mais contagiosa, o que pode significar uma explosão de casos nas próximas semanas. Essa variável já havia sido identificada há semanas, mas nos últimos dias se espalhou com velocidade assustadora.

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Nesta segunda-feira a Grã-Bretanha foi praticamente isolada do resto da Europa, com voos e trens proibidos e entregas de carga temporariamente interrompidas nos portos franceses. O temor pela falta de abastecimento provocou uma corrida aos supermercados, já que com o lockdown imposto pelo governo há a possibilidade de a população ficar sem alimentos frescos antes do Natal.

Consumidores fazem suas compras de Natal no centro de Birmingham, Inglaterra, durante a pandemia de Covid-19
Consumidores fazem compras no centro de Birmingham, Inglaterra, no último dia 12 de dezembro. Imagem: coeyfilms/Shutterstock

Crise de abastecimento

Cerca de um quarto de todos os alimentos consumidos na Grã-Bretanha são produzidos na União Europeia, e a suspensão aumentou a preocupação sobre a possibilidade de escassez de alimentos. A França impôs uma suspensão de 48 horas do trânsito de carga pelo Canal da Mancha, deixando milhares de caminhoneiros presos em seus veículos, enquanto as estradas que conduzem aos portos da Inglaterra foram transformadas em estacionamentos.

O primeiro-ministro Boris Johnson disse que conversou com o presidente francês Emmanuel Macron e ambos os lados teriam mostrado o desejo de resolver “esses problemas o mais rápido possível”. Em uma coletiva de imprensa em Downing Street, Johnson garantiu que está “trabalhando com nossos amigos do outro lado do Canal para desbloquear o fluxo de comércio”.

O ministro francês da Europa, Clément Beaune, disse que iria anunciar na terça-feira (22) quais medidas estavam sendo introduzidas “após esta fase de emergência e severas precauções que tivemos que tomar”. Os membros da União Europeia se reuniram anteriormente em Bruxelas para discutir uma resposta coordenada, com funcionários sugerindo que a exigência de testes poderia ser imposta a todas as pessoas que chegam do Reino Unido.

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Sinalização no centro da cidade de Cambridge pede que as pessoas mantenham distância, cidade está sendo assolada pela variante do coronavírus
Sinalização no centro da cidade de Cambridge pede que as pessoas mantenham distância. Imagem: Private Event Photography/Shutterstock

Áustria, Bélgica, Bulgária, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Polônia, Portugal, Holanda, Romênia, Suíça, Canadá, Índia, Irã e Rússia estão entre as nações que anunciaram restrições a viajantes do Reino Unido. Israel essencialmente fechou seu espaço aéreo para a maioria dos estrangeiros e a Arábia Saudita anunciou uma semana de proibição de todas as viagens internacionais.

Os últimos números divulgados pelas autoridades britânicas revelam que novas 33.364 pessoas no Reino Unido tiveram resultado positivo para a Covid-19. Houve também outras 215 mortes, elevando o total da nação para 67.616.

Novos tratamento têm diminuído o número de mortes

Ainda que a nova variante do coronavírus traga grandes preocupações, cientistas britânicos afirmam que o momento é de esperança, com o início das vacinações. Não, por hora, qualquer indício de que essa mutação seja resistente às vacinas em desenvolvimento – o que faz com que a esperança de derrota da pandemia ainda esteja no horizonte, mesmo que isso ainda leve alguns meses, até que pelo menos 75% da população esteja vacinada.

Médicos e cientistas lembram que o número de mortes causadas pela Covid tem se mantido relativamente estável, apesar do crescimento no número de infecções, por conta dos meses de aprendizado das equipes de atendimento.

No início da pandemia, a falta de informação e o desconhecimento do modo como o vírus afetava o organismo foram grandes desafios para os terapeutas. Agora, passados vários meses de luta contra o a enfermidade, já há muito mais conhecimento sobre os procedimentos que podem ser adotados para lidar um pouco melhor com a ameaça.

Via: BBC/New York Times