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Vídeos não muito longos, nem muito curtos, com uma boa miniatura, título objetivo e chamativo, e retratando desafios extremos ou reações a outros conteúdos – às vezes com a participação de alguma celebridade. Essa é a fórmula de Jimmy “MrBeast” Donaldson, o jovem que decifrou o algoritmo do YouTube e hoje fatura milhões na plataforma.

Nada vem à toa. Desde os 12 anos Donaldson — ou MrBeast — posta vídeos no site – inicialmente, gameplays de “Call of Duty” e “Minecraft”. Mais do que atores, humoristas e criadores de conteúdo, que querem usar a plataforma como trampolim para outros projetos, Donaldson queria se tornar um youtuber de sucesso. E estudou para isso.

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Em entrevista à Bloomberg, ele conta que largou a faculdade em 2016 para descobrir exatamente como um vídeo se torna viral no YouTube. Então com 18 anos, juntou punhado de amigos e começou a analisar os principais sucessos do site. Entrou em contato com grandes canais para buscar dados sobre suas postagens mais acessadas. “Acordava, estudava o YouTube, estudava vídeos, estudava cinema e ia para a cama. Essa era minha vida”, contou Donaldson.

Seu primeiro “hit” foi fruto desses estudos – e pode ser surpreendente para quem não é familiarizado com o algoritmo do site. Donaldson sentou-se em uma cadeira e por 40 horas, murmurou um número após o outro, do zero até 100.000. O vídeo, intitulado “CONTEI ATÉ 100.000!”, foi um sucesso. Desde sua estreia em 8 de janeiro de 2017, já obteve mais de 21 milhões de visualizações.

Esse sucesso trouxe para Donaldson uma lição importante: não é possível obter o máximo de visualizações com o mínimo esforço. O youtuber teria que transmitir ao público como estava trabalhando duro nas suas criações. O canal “MrBeast” ajudou a criar uma estética que hoje é a mais popular no YouTube, os “junklord youtubers”, criadores de conteúdo que vão ao extremo pelo puro entretenimento.

Donaldson já assistiu ao vídeo de rap de um colega em loop por 10 horas, passou 24 horas em uma prisão, depois outras 24 horas em um asilo e em uma ilha deserta. Nos últimos quatro anos, o canal acumulou mais de 48 milhões de assinantes. Nos últimos 28 dias, as pessoas passaram mais de 34 milhões de horas assistindo a seus vídeos.

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 “Depois que você sabe como tornar um vídeo viral, o resto é fazer o máximo possível”, disse em entrevista. “Você pode ganhar dinheiro praticamente ilimitado”. Seu canal passou de 122 milhões de visualizações anuais há quatro anos para mais de 4 bilhões de visualizações por ano. “O primeiro milhão de assinantes que você conseguir levará anos, mas o segundo virá em alguns meses”, conta.

A venda de publicidade nos seus feeds de mídia social rendem um bom faturamento para Donaldson, mas ele conta que investe quase tudo em seu negócio. Nos últimos anos, seu custo médio para fazer um único vídeo subiu de US$ 10 mil para US$ 300 mil. “O dinheiro é um veículo para fazer vídeos maiores e melhor conteúdo”, acredita.

Seu vídeo mais caro até hoje custou US$ 1,2 milhão, e envolveu dar US$ 1 milhão ao competidor que conseguisse manter sua mão em uma pilha de dinheiro por mais tempo. Donaldson já presenteou um competidor com uma ilha particular. “Os vídeos levam meses de preparação”, conta o criador. “Muitos deles levam de quatro a cinco dias de filmagem implacável. Há uma razão pela qual outras pessoas não fazem o que eu faço”, completa.

“A maioria dos youtubers que ganham alguns milhares de dólares e compram uma Lamborghini”, afirma Reed Duchscher, seu empresário. O sonho de Donaldson é filmar uma partida de basquete na estratosfera.

Atualmente ele está investindo em áreas além do YouTube, como o “Beast Burger”, um hamburguer com sua marca que será vendido em mais de 300 restaurantes. O app MrBeast Burger já é o segundo aplicativo gratuito mais popular em toda a loja do iOS.

Via: Bloomberg