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O GitHub oferecerá de volta o emprego de um funcionário demitido após o que a própria empresa classificou como uma série de “erros significativos” – que culminaram com o pedido de demissão da chefe do RH. “Para o funcionário, queremos dizer publicamente: pedimos desculpas sinceras”, escreveu a COO do GitHub, Erica Brescia, em uma nota oficial.

O homem em questão postou, no último dia 6 (enquanto extremistas de direita invadiam o Capitólio dos EUA) em um chat interno para seus colegas, a mensagem: “fiquem seguros manos, os nazistas estão à solta”, com um emoji triste. Um outro funcionário, logo em seguida, o criticou por “usar uma retórica divisionista”, o que desencadeou um debate na sala de bate-papo.

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No mesmo dia, o departamento de recursos humanos do GitHub repreendeu o funcionário, que é judeu, por usar a palavra “nazista” no ambiente de trabalho. Dois dias depois, o funcionário foi demitido por “padrões de comportamento” não especificados. “Não sabia que, como judeu, seria tão polarizador dizer essa palavra”, escreveu o ex-funcionário, que afirmou que provavelmente não trabalharia com tecnologia novamente por causa da cultura “tóxica” da indústria.

Manifestação de apoio

Na sequência da demissão, cerca de 200 dos 1,7 mil funcionários do GitHub assinaram uma carta aberta pedindo esclarecimentos sobre a rescisão. As pessoas também começaram a usar a palavra “nazista” repetidamente no Slack, para se referir aos extremistas de Washington. “Acho que nazistas estiveram presentes nos protestos em 6 de janeiro, e é muito assustador ver essas ideias em exibição”, escreveu um engenheiro no Slack. “100% nazistas estiveram lá, e 1000000000% nazistas são assustadores pra c***lho e não pertencem a lugar nenhum. PARTICULARMENTE NO GitHub! ”, respondeu outro.

Diversos grupos de supremacistas brancos estiveram entre os invasores do Capitólio dos EUA. Imagem: lev radin/Shutterstock

A empresa então contratou um escritório de advocacia independente para investigar a demissão, que de acordo com o CEO do GitHub, Nat Friedman, “chegou à conclusão de que erros significativos foram cometidos e que não são consistentes com nossas práticas internas ou o julgamento que esperamos de nossos líderes”.

Friedman enfatizou que os funcionários (que a empresa chama de “hubbers”) podem falar abertamente sobre seus temores em relação aos supremacistas brancos. “Os hubbers são livres para expressar preocupações sobre neonazistas, antissemitismo, supremacia branca ou qualquer outra forma de discriminação ou assédio”, escreveu o executivo.

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“Eu, o GitHub e todos em nossa equipe de liderança condenamos o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos na semana passada e todo e qualquer sistema de crenças que seja discriminatório”, ainda escreveu Friedman em sua mensagem. “O antissemitismo, os neonazis e a supremacia branca – junto com todas as outras formas de racismo – são vis e não têm lugar no mundo, e especialmente em nossa comunidade.”

Via: The Verge/Business Insider