Com as novas mutações do coronavírus surgindo, muitas perguntas surgem sobre quais são os riscos que eles possam fugir da resposta imunológica produzida pelas vacinas que estão em franca distribuição pelo mundo. Agora, surge a primeira boa notícia: pelo menos uma delas, a da Pfizer, ainda oferece capacidade de neutralizar as novas variantes.

Em estudos divulgados na terça-feira (19) ainda sem revisão por pares, a Pfizer apresentou resultados dos experimentos com novas mutações do coronavírus com soro de 16 pessoas vacinadas com o imunizante, e o resultado foi positivo, indicando que a resposta imunológica ainda é válida.

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No estudo, o soro dos voluntários dos testes clínicos foi exposto a um vírus sintético com todas as mutações da variante B117, descoberta no Reino Unido no fim do ano passado e que tem se mostrado mais transmissível, e comparado com a forma original do Sars-Cov-2, descoberta em Wuhan no fim de 2019. Os resultados mostram que a nova versão foi imunizada de forma compatível com a original.

É a segunda boa notícia relacionada a mutações do coronavírus e vacinas. Na semana passada, a Pfizer anunciou havia apresentado resultados também positivos mostrando que sua vacina havia mostrado capacidade de imunização contra a variante N501Y, detectada no Reino Unido e na África do Sul.

Apesar da preocupação com a possível evasão imunológica causada por novas mutações do coronavírus, as empresas não têm demonstrado preocupações sobre o assunto. A Pfizer já afirmou que conseguiria colocar no mercado uma vacina atualizada contra uma nova cepa em questão de 6 semanas, bastando apenas atualizar o material genético presente em suas vacinas de RNA mensageiro (mRNA).

Enquanto isso, a Moderna ressaltou recentemente em conferência que, caso uma mutação consiga fugir da resposta provocada pela sua vacina, também seria possível atualizar rapidamente seu imunizante e sem a necessidade da realização de uma fase 3 nova para determinar a eficácia.

No caso das vacinas de mRNA, a única coisa necessária para a atualização seria a troca da sequência genética que é introduzida nas células para que produzam a proteína viral que é o alvo. Como não é difícil realizar o sequenciamento do vírus para conseguir o “código-fonte”, a atualização desse código é razoavelmente simples.