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O Google está investigando mais uma pesquisadora de inteligência artificial (IA) da empresa. Agora, Margaret Mitchell, que faz parte do time de ética sobre IA, teve seus acessos corporativos limitados, embora ainda não tenha sido demitida, segundo informações do Axios.

A situação parece ser uma repetição do que ocorreu com Timnit Gebru, outra pesquisadora do tipo que também trabalhava no Google – inclusive, na mesma equipe de Mitchell – até o fim de 2020. A demissão de Gebru gerou manchetes e críticas ao Google por todo o mundo.

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De acordo com a publicação, o Google disse ter travado a conta corporativa de Mitchell após seus sistemas automatizados detectarem “milhares de arquivos baixados e compartilhados com múltiplas contas externas”.

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Margaret Mitchell, pesquisadora de inteligência artificial do Google, está sob investigação da empresa e teve seus acessos temporariamente cortados. Imagem: Margaret Mitchell/Acervo

Uma fonte que pediu seu anonimato afirmou que Mitchell estava rodando um script para vasculhar suas mensagens em busca de qualquer tratamento discriminatório sobre Timnit Gebru.

A suspeita foi reforçada pela própria Margaret Mitchell, que tuitou, na última semana, ter encontrado e documentado “problemas sérios com a demissão [de Gebru], de ponta a ponta, pelo seu trabalho dentro e fora da empresa”.

Segundo o Google, o sistema automaticamente trava os acessos de um funcionário quando detecta a possibilidade de sua conta corporativa estar comprometida ou quando enxerga recursos automatizados atuando em dados sensíveis.

“Nós explicamos isso à funcionária hoje, mais cedo”, disse a empresa. “Estamos ativamente investigando este caso como parte de nosso procedimento padrão em busca de maiores detalhes”.

Timnit Gebru falou sobre a situação em seu Twitter, limitando-se a dizer que Mitchell “não foi demitida AINDA”, mas que foi informada que seu acesso ficaria desabilitado por alguns dias. Mitchell, por sua vez, não comentou o caso quando procurada pela imprensa.

Projeto Maven

O Google vem sofrendo críticas em suas bases de inteligência artificial desde que anunciou participação no “Projeto Maven”, uma iniciativa ligada às forças armadas norte-americanas para aprimorar a autonomia de drones de combate. O projeto permite a drones uma capacidade maior de identificação e bombardeio de alvos de interesse dos EUA.

A demissão de Timnit Gebru, franca opositora da participação do Google neste projeto, gerou inúmeras críticas à empresa, que viu diversos especialistas da comunidade desenvolvedora assinarem um documento em apoio à pesquisadora.

Paralelamente, outros funcionários da empresa que também se opõem ao Maven estão buscando a sindicalização, a fim de assegurar proteções trabalhistas em caso de represália do Google.

Fonte: Axios