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A adoção de criptografia de ponta a ponta em produtos de mensagem pode dificultar o combate à exploração infantil. A declaração do Facebook ao comitê da Câmara dos Comuns do Reino Unido tem relação direta com os programas da empresa para localizar e prevenir abusos infantis em suas plataformas.

Essas ações incluem a verificação de mensagens privadas e a atuação em conjunto com autoridades, por exemplo. Cerca de 3 mil crianças britânicas são apontadas pelo Facebook como vulneráveis todos os anos para a British National Crime Agency.

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Apesar de não saber estimar quantos casos de exploração são perdidos, Monika Bickert, chefe de gerenciamento de políticas globais do Facebook, afirma que a adoção de criptografia pode diminuir o potencial investigativo da companhia. “Se o conteúdo é compartilhado e não temos acesso a ele, é um material que não podemos denunciar”, disse ela ao comitê.

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Localização de casos de abuso infantil seria reduzida com adoção de criptografia nas mensagens do Facebook. Foto: Gil C/Shutterstock

O Facebook cogita a possibilidade de implementar a criptografia de ponta a ponta no Messenger há alguns anos, mas autoridades de diversos países reforçam os riscos que isso representa para investigações de abusos de exploração de crianças.

Até a presidente do comitê da Câmara dos Comuns, Yvette Cooper, é contrária à adoção da criptografia pelo Facebook. “Por que o Facebook está tentando introduzir algo que colocará mais crianças em risco, que tornará mais difícil resgatar crianças vulneráveis?”, questionou. Segundo ela, cerca de 70% dos relatórios de abuso coletados pelo Facebook seriam perdidos.

Dilema

Por outro lado, a criptografia pode ajudar a combater impasses como as polêmicas envolvendo a privacidade de usuários e os diversos casos de hacking e roubo de dados registrados diariamente. Com isso, cria-se um debate sem fim. E há outro aspecto do uso da criptografia.

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Diferentemente do Facebook, o Twitter reconhece seu papel na invasão ao Capitólio em 6 de janeiro. Apesar de excluir cerca de 70 mil contas de perfis ligados ao QAnon, a rede social admite que serviu como palco de incitações à violência ou propagação de teorias conspiratórias.

Facebook não reconhece participação da plataforma nos ataques ao Congresso americano. Foto: Sebastian Portillo/Shutterstock

O Facebook, no entanto, tem outro discurso. Segundo Sheryl Sandberg, chefe de operações da empresa, “em grande parte, eventos foram organizados em plataformas que não têm nossa capacidade de deter o ódio, não têm nossos padrões e não têm nossa transparência”.

A pergunta que surge é se o Facebook está realmente interessado na privacidade e na proteção de dados dos usuários ou a adoção de criptografia seria usada como desculpa para evitar a responsabilização da empresa de situações que possam ocorrer na plataforma? Essa é a questão.

Via: The Guardian