A justiça norte-americana negou nesta quinta-feira (21) o pedido do Parler de ter o serviço de hospedagem restabelecido pela Amazon. No embate contra a gigante do varejo, a juíza Barbara Rothstein se posicionou contra o Parler, afirmando que a rede social apresentou “poucas evidências” de que não possui práticas antitruste ou atividades impróprias de negócios.

Rothstein diz que as “alegações do Parler são imprecisas, e vão contra as evidências apresentadas pela Amazon Web Services (AWS)”. A rede social chegou a declarar que a suspensão da Amazon “representou grandes perdas financeiras”.

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Ainda assim, não foi o suficiente para mudar a decisão da juíza. Rothstein ainda atenta ao fato do Parler “não negar em momento” que os seus usuários tenham, de fato, utilizado sua plataforma para “postar conteúdo violento e ameaças”, antes e durante o ataque ao Capitólio no dia 6 de janeiro.

Prédio do Capitólio, em Wahsington DC tomado por extremistas de direita
Invasão ao Capitólio por extremistas de direita acabou com quatro manifestantes mortos e 14 policiais feridos. Imagem: Alex Gakos/Shutterstock

Mesmo com promessas de mudanças nas políticas de moderação da rede social, a juíza foi contra forçar a Amazon reativar a hospedagem ao Parler. A decisão, de acordo com Rothstein, poderia interferir na prevenção dos serviços da Amazon de serem utilizados para “promover ou causar novos eventos violentos.”

Futuro do Parler é incerto

O Parler, antes de ser retirado ao ar, se promovia como uma alternativa às plataformas populares e com moderação menos rigorosa. O que logo atraiu extremistas e apoiadores do ex-presidente Trump.

Depois dos protestos violentos em Washington, a Amazon fez questão de cortar qualquer ligação com a rede social. Em resposta aos ataques, a Apple e o Google também removeram os aplicativos do Parler de suas lojas de aplicativos.

A rede social foi contra a decisão, decidindo processar a Amazon pelo bloqueio de seus serviços de hospedagem. O Parler chegou a sugerir, inclusive, que a decisão seria uma “tentativa da Amazon de proteger outras empresas como o Twitter”, também hospedado nos servidores da companhia.

Acesso ao Parler continua bloqueado. Imagem: Parler.com/Reprodução

Em resposta, a gigante do varejo declarou que o Parler ignorou as ameaças violentas compartilhadas em sua plataforma. A empresa diz ter deixado isso claro à rede social, indicando o aumento de conteúdo violento no serviço.

Por ora, o futuro da rede social ainda é incerto. Parte do conteúdo questionável postado no Parler chegou a ser armazenado por ativistas e hackers antes da rede ser desativada. Algo que pode ajudar as autoridades nas investigações contra os envolvidos na invasão ao Capitólio.

O CEO da rede, John Matze, chegou a declarar estar disposto a “resolver qualquer desafio” antes de o Parler ser reativado. Até o momento, a plataforma continua offline, apenas com uma página que diz que o Parler pretende “receber seus usuários de volta em breve”.

Fonte: The Verge