Especialistas têm utilizado softwares de reconhecimento facial no acervo de vídeos compartilhados na rede social Parler no dia da invasão ao Capitólio. Esse trabalho permite identificar um mesmo indivíduo em vídeos diferentes, bem como determinar seus diferentes pontos de localização durante a ocupação.

Desde os protestos violentos e da queda do Parler, ativistas, hackers e especialistas em tecnologia de modo geral continuam a explorar o conteúdo compartilhado na rede social. O objetivo é encontrar algo que possa ajudar as autoridades. Um dos envolvidos diz já ter processado cerca de 900 vídeos do Parler. Até agora, o software de reconhecimento facial identificou e isolou mais de 40 mil rostos diferentes.

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Acervo de vídeos do Parler

Vídeos compartilhados no Parler no dia da invasão ao capitólio podem ajudar as autoridades. lev radin/Shutterstock

O hacker ‘donk_enby’ foi um dos líderes da prática de arquivar o conteúdo compartilhado por grupos de extrema-direita na plataforma. Depois que a Amazon confirmou que não ia mais hospedar o serviço, esse material se tornou ainda mais importantes.

As informações retiradas do Parler incluem desde postagens e imagens até dados de localização. Por enquanto, o conteúdo que atraiu os pesquisadores são os vídeos da invasão ao Capitólio — e, principalmente, a tarefa de identificar os rostos dos envolvidos nos protestos.

De acordo com os especialistas, o primeiro passo da investigação consiste em isolar cada rosto presente nos vídeos. O segundo é utilizar um rosto como modelo, para depois identificar todas as vezes que ele aparece em outros vídeos.

Ajuda nas investigações

Um dos pesquisadores revelou ao portal Vice que compartilha os resultados de sua pesquisa com o FBI. Outros especialistas preferem publicar seus achados na internet. É o caso do site Faces of the Riot, que já compartilhou milhares de rostos retirados de vídeos do Parler. Esse processo, segundo o cofundador do site, pode facilitar as denúncias e o trabalho do FBI no caso.

Agente do FBI mexendo em um computador
Especialistas compartilham os resultados de suas pesquisas com o FBI. Imagem: Dzelat/Shutterstock

De acordo com os criadores do ‘Faces of the Riot’, diferentemente de outros serviço que permitem acesso à identidade e aos dados pessoais dos envolvidos em protestos, o site “não utiliza reconhecimento facial, apenas detecção facial”. Isso quer dizer que o endereço não busca associar identidades aos rostos encontrados.

Vale destacar que o conteúdo publicado no Parler e em outras redes sociais no dia da invasão ao Capitólio, tem ajudado as autoridades a responsabilizarem os extremistas pela invasão e por eventuais crimes cometidos na ocasião. Vários depoimentos registrados pela polícia fazem referência a algum tipo de conteúdo publicado em mídias sociais. Um dos exemplos é o caso de Riley June Williams, identificada e acusada de ter roubado um notebook em um dos escritórios do Capitólio.

De acordo com o The New York Times, o software ‘Clearview AI’ teve um crescimento fora do comum nos EUA desde os protestos registrados no início de janeiro. Isso porque é uma ferramenta que utiliza inteligência artificial para reconhecer pessoas a partir de informações retiradas das redes sociais.

Fonte: Vice, The New York Times