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Um levantamento feito por pesquisadores da Escola de Informação da Universidade de Washington (EUA) afirma que o algoritmo de indicações usado pela Amazon ajudou na disseminação de informações enganosas relacionadas à pandemia de Covid-19.

O estudo, disponível em pré-impressão na plataforma Arxiv.org (portanto, pendente de revisão por pares acadêmicos) indica que cerca de 10,47% dos resultados da pesquisa na plataforma de comércio eletrônico promovem produtos de saúde desinformativos. O sistema de recomendação ainda cria um efeito de “bolha”, no qual produtos com informações enganosas levam a outros itens do mesmo tipo.

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“Vários produtos, desde medicamentos não testados para o coronavírus, até cura por orações e tratamentos com ervas e suplementos vitamínicos se proliferaram na Amazon”, escreveram os pesquisadores no estudo. A Amazon teve que remover mais de um milhão de produtos falsificados relacionados à pandemia do e-commerce após vários casos serem relatados pela mídia.

“A escala do conteúdo problemático sugere que a Amazon pode ser um grande facilitador de desinformação, especialmente desinformação sobre saúde”, avaliam os pesquisadores.

“Ela não apenas hospeda conteúdo enganoso relacionado à saúde, mas seus algoritmos de recomendação impulsionam o engajamento, enviando produtos de saúde potencialmente duvidosos para os usuários do sistema”, completam.

Amazon declara que ajudará Joe Biden na pandemia
Amazon teve de tirar do ar milhões de produtos que prometiam falsos tratamentos para a Covid-19. Imagem: Marcos del Mazo/Shutterstock

Foram conduzidos dois conjuntos de experimentos entre maio e agosto. No primeiro, os cientistas a quantidade de informações incorretas sobre saúde às quais os usuários foram expostos ao realizar pesquisas relacionadas a vacinas em geral. Neste teste em particular, as buscas foram feitas sem um login na plataforma.

Foram analisados os resultados de 48 pesquisas pertencentes a 10 tópicos populares relacionados à vacina, incluindo “vacina contra HPV”, “imunização” e “vacina MMR e autismo”. Cerca de 36 mil resultados e 16,8 mil recomendações de páginas de produtos relacionados foram anotadas.

Na segunda auditoria – essa já “personalizada”, ou seja, com login – o impacto do histórico comportamental do cliente foi levado em consideração. Depois de analisar os resultados dos dois experimentos, os pesquisadores descobriram que os resultados da pesquisa retornados para muitas buscas relacionadas à vacina contêm um “alto viés de desinformação”.

Isso significa que produtos que promovem a desinformação foram classificados acima de produtos que “desmascaram” essas informações enganosas. Clientes que engajaram com produtos desinformativos receberam ainda mais desinformação em suas páginas iniciais, recomendações de páginas de produtos e recomendações de pré-compra.

“Muitos mecanismos de pesquisa e plataformas de mídia social empregam personalização para aprimorar a experiência dos usuários, com base em seu histórico de navegação ou compra anterior”, explicam os pesquisadores. “Mas, por outro lado, se não for verificada, a personalização também pode levar os usuários a uma ‘toca de coelho’ de conteúdo problemático ”, completam.

Via: Venture Beat