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Um novo estudo sugere que pessoas grávidas podem passar anticorpos protetores para seus bebês caso tenham sido for infectadas com Covid-19 durante a gestação. De acordo com os pesquisadores, esse comportamento é consistente com o que se sabe por meio de estudos de outros vírus.

O artigo, publicado nesta sexta-feira (29) na revista JAMA Pediatrics, afirma ainda que a transferência de anticorpos é maior no início da gravidez. “Isso pode ter implicações para quando as mulheres devem ser vacinadas contra a Covid-19”, avalia Scott E. Hensley, professor associado de microbiologia da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia e um dos autores do estudo.

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Mais de 1.500 mulheres que deram à luz no Hospital da Pensilvânia, na Filadélfia, foram testadas entre abril e agosto do ano passado. Destas, descobriu-se que 83 tinham anticorpos contra a Covid-19.

Após o parto, 72 desses bebês testaram positivo para a presença de anticorpos por meio do sangue do cordão umbilical – independentemente de suas mães apresentarem ou não sintomas.

De acordo com Karen Puopolo, pediatra coautora do estudo, cerca de metade desses bebês tinham níveis de anticorpos tão altos ou mais altos do que os encontrados no sangue de suas mães. Um a cada quatro bebês apresentou níveis de anticorpos no sangue 1,5 a 2 vezes maiores do que as concentrações das mães.

coquetel de anticorpos
Anticorpos agem no Sars-Cov-2. Ilustração: Kateryna Kon/Shutterstock

Quanto mais cedo, mais proteção

Os pesquisadores também observaram uma relação entre o período de início da infecção por Covid-19 e o parto. Quanto maior esse tempo, mais anticorpos do tipo imunoglobulina G, ou IgG, são transferidos. Nenhum dos bebês apresentou anticorpos imunoglobulina M, ou IgM, que normalmente são detectados logo após uma infecção. Isso sugere que os bebês não foram infectados com o novo coronavírus.

Os especialistas, porém, ainda não sabem se a quantidade de anticorpos transmitidos aos bebês foi suficiente para impedir que os recém-nascidos contraíssem a Covid-19. Os autores reforçam que o estudo foi conduzido apenas em um hospital, e deve ser replicado posteriormente.

Os cientistas também não puderam afirmar se a vacina contra a Covid-19 funcionará dessa forma, em parte porque as mulheres grávidas foram excluídas dos ensaios clínicos iniciais.

“É plausível que a vacina Covid ofereça proteção para mães grávidas e seus bebês”, avalia Mark Turrentine, médico do grupo de especialistas da Covid-19 do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas. “Para mim, este estudo destaca que a inclusão de mulheres grávidas em ensaios clínicos como a vacina Covid-19 é essencial, especialmente quando o benefício da vacinação é maior do que o risco potencial de uma doença com risco de vida”, completa.

Via: New York Times