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O Google está tentando resolver a questão da remuneração às agências de notícias na Europa, mas o tiro pode sair pela culatra, ao menos na França. Em um acordo confidencial, a empresa concordou em pagar US$ 76 milhões ao longo de três anos a um grupo de editoras de notícias francesas – um acordo que o sindicato da categoria considerou injusto.
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Os documentos, vistos pela Reuters, incluem um acordo que estipula que o Google está pronto para pagar US$ 22 milhões anuais no total a um grupo de 121 publicações de notícias da França, e outros US$ 10 milhões para encerrar todos os litígios presentes e futuros vinculados a reivindicações de direitos autorais.
“Esses acordos não garantem o tratamento justo de todos os editores, uma vez que a fórmula de cálculo não foi tornada pública”, publicou em nota o Spiil, o sindicato dos editores de notícias online independentes da França. A entidade lamentou que a categoria não tenha se unido nas negociações. “O Google aproveitou nossas divisões para promover seus interesses”, completou.
Para receber uma parte dos US$ 22 milhões que serão divididos entre as publicações, cada organização da França será obrigada a assinar um contrato de licenciamento individual com o Google. O jornal francês Le Monde receberá US$ 1,3 milhão – o valor mais alto da lista – enquanto o jornal local La Voix de la Haute Marne recebe a menor fatia, US$ 13.741.
Sob os termos do acordo, os membros do grupo também se comprometem a alimentar o novo produto do Google, o Google News Showcase, um novo serviço que permite aos editores parceiros fazer a curadoria do conteúdo e fornecer acesso limitado a notícias com acesso pago.

Apoio da Microsoft
A União Europeia pretende seguir o exemplo da Austrália e exigir, por meio de lei, que as plataformas de tecnologia como Google e Facebook paguem para exibir notícias provenientes da mídia. O país da Oceania alega que as empresas possuem amplo domínio dos conteúdos disseminados na internet, incluindo as notícias.
Isso faz com que elas aumentem cada vez mais suas receitas publicitárias e enfraqueçam a mídia local — tanto em exposição, quanto financeiramente. Em entrevista ao Finacial Times, o eurodeputado maltês Alex Saliba disse que a abordagem do governo australiano resolveu os “desequilíbrios agudos do poder de negociação” entre as plataformas de tecnologia e os editores de notícias.
Em um comunicado oficial, o presidente da Microsoft, Brad Smith, afirmou que a empresa “está comprometida com a Austrália e com os editores de notícias que são vitais para a democracia do país”. O executivo ainda afirmou que a empresa apoia a legislação australiana e colabora para propor soluções inovadoras.
“A Microsoft reconhece que o setor de mídia e o jornalismo de interesse público atualmente enfrentam muitos desafios da era digital, incluindo a mudança nos modelos de negócios e a evolução das preferências do consumidor”, afirma Smith. “O novo código tenta razoavelmente lidar com o desequilíbrio do poder de barganha entre as plataformas digitais e os negócios de notícias australianos”, completa.
Como não poderia deixar de ser, o executivo abre as portas do Bing para veículos que quiserem ser parceiros. “A Microsoft garantirá que as pequenas empresas que desejam transferir sua publicidade para o Bing o façam de forma simples e sem custos de transferência. Reconhecemos o papel importante que a publicidade de pesquisa desempenha para mais de dois milhões de pequenas empresas na Austrália”.
Via: Reuters