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Apesar do impasse nas negociações sobre vacina contra Covid-19, a Pfizer ainda não desistiu de vender seu imunizante ao Brasil.  A empresa teria, mesmo com as condições desafiadoras, ampliado a oferta de doses ao governo brasileiro, com a possibilidade de entrega de pouco mais de 100 milhões de doses ainda em 2021.

Segundo a CNN Brasil, a proposta foi feita em documento entregue ao Ministério da Saúde na semana passada, ainda sem uma resposta definitiva do governo.

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A oferta prevê que a empresa conseguiria entregar o primeiro lote de 9 milhões de doses ainda no primeiro semestre deste ano. No segundo semestre, as entregas seriam fracionadas em dois lotes: o primeiro, de 35 milhões, chegaria até setembro, com mais 60 milhões previstas para antes da virada do ano.

Inicialmente, a oferta que a Pfizer fez ao governo brasileiro previa apenas a entrega de 70 milhões de doses.

O documento não cita a justificativa para esse aumento no volume ofertado ao Brasil, mas é provável que esteja relacionado a uma ampliação nas projeções para o ano. Inicialmente, a Pfizer estava entregando frascos com conteúdo suficiente para 5 doses, mas graças a uma margem de segurança, algumas seringas conseguem extrair 6 doses.

A Pfizer decidiu levar esse fato em consideração retroativamente, descontando essa dose adicional do montante que ainda estava para ser entregue aos países. Assim, a empresa aumentou sua projeção de doses disponíveis para o ano, o que permite uma oferta mais generosa para o ano.

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Governo contra Pfizer

Apesar da oferta, as negociações estão travadas. Nesta segunda-feira (22), a empresa informou que não aceita os termos impostos pelo governo brasileiro para realizar a venda.

Os termos que causaram desconforto com o governo são o fato de que a Pfizer quer a isenção de responsabilidade em caso de complicações por efeitos adversos da vacina se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceder a permissão de uso no país, seja por registro definitivo, seja apenas para uso emergencial.

Além disso, a companhia também exige que possíveis conflitos sejam resolvidos em uma Corte Arbitral em Nova York e que ativos do governo federal no exterior sejam usados como garantia de pagamento e que seja constituído um fundo garantidor com conta no exterior.

Em reunião com senadores, a Pfizer informou que as cláusulas colocadas no contrato não são uma invenção da companhia, mas sim exigências comuns de várias farmacêuticas, seguindo um padrão internacional.