Nas próximas semanas, o Conselho de Supervisão do Facebook vai decidir se mantém ou não a suspensão da conta do ex-presidente americano, Donald Trump, na plataforma. Esta deve ser a decisão mais importante do conselho do Facebook desde sua criação, em maio de 2020. E ela vai estabelecer um precedente global para futuras políticas e ações de fiscalização adotadas pela companhia.

Em 6 de janeiro — mesma data em que o Congresso dos EUA foi invadido por seguidores de Trump —, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou o bloqueio da conta por tempo indeterminado. Além de tolerar as ações de seus seguidores no ataque ao Capitólio, Trump fez diversos posts na plataforma sobre fraudes nas eleições americanas para presidente — e sem provas. Segundo ele, isso teria dado a vitória a Joe Biden.

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“Os eventos chocantes das últimas 24 horas demonstram claramente que o [à época] presidente Donald Trump pretende usar seu tempo restante no cargo para minar a transição pacífica e legal de poder para seu sucessor eleito, Joe Biden”, escreveu o CEO do Facebook em seu perfil pessoal.

O ato foi visto como um atentado à democracia, já que desrespeitou a decisão resultante dos votos diretos americanos, e ajudou a inflamar a fúria dos adeptos do ex-presidente. Não à toa, além do Facebook, outras 11 plataformas — como Instagram, Twitter, Google e YouTube — também fizeram restrições às contas de Trump.

Imagem da conta de Donald Trump no Facebook
Perfil do ex-presidente americano no Facebook está suspenso desde 6 de janeiro. Foto: Pe3k/Shutterstock

Suspensão deve ser mantida

Ao que tudo indica, o conselho do Facebook deve manter a suspensão da conta de Donald Trump — apenas com base nos posts de 6 de janeiro, isso já seria justificável. E, na verdade, a punição poderia ter até sido aplicada antes.

O Facebook admite que as violações de Trump à política de regras da plataforma acontecem há anos. No entanto, a rede social optou por não tomar nenhuma medida para permitir que os seguidores do ex-presidente fossem capazes de ouvir seu líder.

Palavras de Zuckerberg reforçam os indícios de que a suspensão deve ser mantida. “Nos últimos anos, permitimos que o presidente Trump usasse nossa plataforma de acordo com nossas próprias regras: removemos conteúdo ou rotulamos seus posts quando violavam nossas políticas. O contexto atual é diferente, pois envolve o uso da rede para incitar uma insurreição violenta contra um governo eleito democraticamente”, avaliou.

Apesar disso, a decisão vai muito além do caso Trump: ela será importante para o futuro da democracia e das redes sociais. Isso porque o banimento do deve estimular outras redes sociais a adotarem a democracia como pilar central de suas políticas de conteúdo. Além disso, a suspensão demonstra o esforço do Facebook para regular sua plataforma em prol da democracia — e a empresa deve ser muito questionada se houver reversão do banimento.

Via: Wired