Holanda testa retorno ao normal após a pandemia em festa fechada

Roseli Andrion 10/03/2021 18:03, atualizada em 11/03/2021 10:31
Casa noturna participa de experimento para testar volta à normalidade após a pandemia
Foto: alexkoral/Shutterstock

Enquanto o Brasil segue mergulhado em números crescentes de mortes por Covid-19 e de novos casos da doença, alguns países já começam a se movimentar para fora da pandemia do novo coronavírus. Nesta semana, por exemplo, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA liberou encontros sem máscara entre cidadãos imunizados.

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Paralelamente, um teste na Holanda reuniu 50 pessoas em uma balada na casa noturna Ziggo Dome, em Amsterdã, no fim de semana passado (6 e 7 de março) sem usar máscara nem manter distância — eles compartilharam o ambiente com outros cerca de 1500 visitantes. E tudo com a aprovação do governo local. Além disso, esses voluntários tiveram acesso liberado ao bar e foram incentivados a cantar e gritar.

Para entrar, os participantes tinham de estar fora de grupos de risco e apresentar um teste negativo para o novo coronavírus feito no máximo 48 horas antes. O experimento quer encontrar as formas mais seguras de voltar ao normal. Esse não é o primeiro estudo do tipo: em fevereiro, os mesmos organizadores enviaram voluntários a um congresso, a um espetáculo de teatro e a dois jogos de futebol.

Na Ziggo Dome, os participantes do experimento usavam uma etiqueta eletrônica que registra contatos com uma precisão de 10 cm de distância e permite computar quantos encontros houve e quanto tempo eles duraram. Além disso, eles receberam uma bebida fluorescente para ajudar no rastreamento da dispersão das gotículas de saliva.

Balada para testar a reabertura
Jovens participam de festa em casa noturna da Amsterdã para testar como será feita a reabertura após a pandemia. Foto: vchal/Shutterstock

A casa tem capacidade para 17 mil convidados, mas, entre funcionários e voluntários, recebeu 1.578 pessoas no sábado e 1.482 no domingo. Mais de 100 mil interessados procuraram a página do estabelecimento e os lugares (ao preço de 15 €) se esgotaram em 20 minutos. Segundo Tim Boersma, porta-voz da empresa que conduz o experimento, a Fieldlab, a ideia é definir qual a melhor forma de reabrir esses locais.

Para isso, nesses encontros são observados a qualidade do ar nos locais e o efeito da dinâmica (a quantidade e a duração dos contatos, bem como a dispersão de saliva) no risco de transmissão da doença. Além disso, são avaliadas formas de evitar que infectados participem, de rastrear contatos e de como influenciar o comportamento do público.

Quem criou as experiências foi o virologista Andreas Voss, do Centro Médico Universitário Radboud e integrante da equipe de gerenciamento de pandemias da Holanda. Várias universidades holandesas participam da pesquisa. Os voluntários devem ir, ainda, a dois festivais ao ar livre e a um concerto pop.

Resultados animadores

Cinco dias depois da diversão, os participantes são convidados a fazer um segundo teste para a detecção do novo coronavírus. Boersma diz que os resultados até agora são animadores. Nos dois primeiros encontros, não houve infecções entre os participantes que se submeteram aos testes (80%). Já entre os que foram ao primeiro jogo de futebol, um teve diagnóstico positivo. Ainda não há resultados para o segundo jogo.

Cerca de três semanas após cada reunião, os resultados são enviados ao Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente e à equipe de gerenciamento de pandemias da Holanda. As autoridades de saúde esperam usar as informações para fazer recomendações para as próximas etapas de reabertura.

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Via: Folha de S.Paulo

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Roseli Andrion

Roseli Andrion é redator(a) no Olhar Digital

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