Enquanto o Brasil segue mergulhado em números crescentes de mortes por Covid-19 e de novos casos da doença, alguns países já começam a se movimentar para fora da pandemia do novo coronavírus. Nesta semana, por exemplo, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA liberou encontros sem máscara entre cidadãos imunizados.

Paralelamente, um teste na Holanda reuniu 50 pessoas em uma balada na casa noturna Ziggo Dome, em Amsterdã, no fim de semana passado (6 e 7 de março) sem usar máscara nem manter distância — eles compartilharam o ambiente com outros cerca de 1500 visitantes. E tudo com a aprovação do governo local. Além disso, esses voluntários tiveram acesso liberado ao bar e foram incentivados a cantar e gritar.

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Para entrar, os participantes tinham de estar fora de grupos de risco e apresentar um teste negativo para o novo coronavírus feito no máximo 48 horas antes. O experimento quer encontrar as formas mais seguras de voltar ao normal. Esse não é o primeiro estudo do tipo: em fevereiro, os mesmos organizadores enviaram voluntários a um congresso, a um espetáculo de teatro e a dois jogos de futebol.

Na Ziggo Dome, os participantes do experimento usavam uma etiqueta eletrônica que registra contatos com uma precisão de 10 cm de distância e permite computar quantos encontros houve e quanto tempo eles duraram. Além disso, eles receberam uma bebida fluorescente para ajudar no rastreamento da dispersão das gotículas de saliva.

Balada para testar a reabertura
Jovens participam de festa em casa noturna da Amsterdã para testar como será feita a reabertura após a pandemia. Foto: vchal/Shutterstock

A casa tem capacidade para 17 mil convidados, mas, entre funcionários e voluntários, recebeu 1.578 pessoas no sábado e 1.482 no domingo. Mais de 100 mil interessados procuraram a página do estabelecimento e os lugares (ao preço de 15 €) se esgotaram em 20 minutos. Segundo Tim Boersma, porta-voz da empresa que conduz o experimento, a Fieldlab, a ideia é definir qual a melhor forma de reabrir esses locais.

Para isso, nesses encontros são observados a qualidade do ar nos locais e o efeito da dinâmica (a quantidade e a duração dos contatos, bem como a dispersão de saliva) no risco de transmissão da doença. Além disso, são avaliadas formas de evitar que infectados participem, de rastrear contatos e de como influenciar o comportamento do público.

Quem criou as experiências foi o virologista Andreas Voss, do Centro Médico Universitário Radboud e integrante da equipe de gerenciamento de pandemias da Holanda. Várias universidades holandesas participam da pesquisa. Os voluntários devem ir, ainda, a dois festivais ao ar livre e a um concerto pop.

Resultados animadores

Cinco dias depois da diversão, os participantes são convidados a fazer um segundo teste para a detecção do novo coronavírus. Boersma diz que os resultados até agora são animadores. Nos dois primeiros encontros, não houve infecções entre os participantes que se submeteram aos testes (80%). Já entre os que foram ao primeiro jogo de futebol, um teve diagnóstico positivo. Ainda não há resultados para o segundo jogo.

Cerca de três semanas após cada reunião, os resultados são enviados ao Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente e à equipe de gerenciamento de pandemias da Holanda. As autoridades de saúde esperam usar as informações para fazer recomendações para as próximas etapas de reabertura.

Via: Folha de S.Paulo