Todos os anos, muitas empresas são reconhecidas no mercado como as melhores para se trabalhar, seja porque o ambiente é saudável e estimula o desenvolvimento de profissionais, seja pelos benefícios e qualidade de vida proporcionados. Mas o que uma pesquisa recente identificou foi um ponto em comum: as melhores empresas são locais, em sua maioria, com mais mulheres em cargos de liderança.

A pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), realizada pelo instituto FIA, visa medir o grau de satisfação de funcionários dentro das empresas – ou o que eles chamam de employee experience (do inglês, experiência do empregado). A pesquisa resulta no Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar, parceria do Instituto FIA com o Uol.

publicidade

A premiação qualificou, no último ano, 100 companhias que atendiam aos requisitos de melhores lugares para se trabalhar, segundo a metodologia do estudo. Dessas, 49% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Equipe liderada por uma mulher, em volta de uma mesa de reunião
Quanto mais mulheres na liderança, mais representatividade e mais diversidade.
Crédito: Shutterstock

Isso é maior do que a média do mercado como um todo: segundo os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Economia, mulheres ocupam 43,8% dos 2,6 milhões de cargos de chefia registrados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

O Ministério classifica dentre os cargos de liderança as posições referentes a diretores, chefes, supervisores, gerentes, coordenadores e dirigentes.

Ainda segundo o estudo FEEx, as empresas com mais mulheres CEOs possuem maior chance de contratar outras mulheres para cargos de liderança. 

O inverso também é verdade: das companhias com mulheres CEOs, 42% possuem uma composição de outras mulheres em cargos de diretoria. Em cargos de gerência, o montante feminino é de 42% e para supervisão e coordenação, 44%.

Na comparação, das empresas que possuem homens na chefia, apenas 12% possuem mulheres na diretoria, 34% preenchem cargos de gerência e 38% são coordenadoras e supervisoras.

Mais representatividade

Ainda segundo o estudo, a participação feminina na chefia também aumenta a atuação de outras mulheres em cargos iguais ou similares.

Segundo Naiara Oliveira, professora da FIA Business School e uma das consultoras responsáveis pela pesquisa, esse fenômeno se explica por conta do fator representatividade: quanto mais mulheres na liderança, “mais profissionais do sexo feminino são inspiradas a subir na carreira”.

Além disso, a chance de ter o cargo máximo preenchido por uma mulher aumenta: entre as 100 companhias selecionadas pelo estudo, seis são presididas por mulheres.

Safra Catz, CEO da Oracle. Crédito: drserg/Shutterstock

Se esse número parece pequeno, é porque a representatividade de mulheres nesse cargo ainda é baixa, mesmo globalmente. Das maiores empresas do mundo, listadas no ranking da Fortune 500, apenas 13,6% possuem CEOs mulheres.

Quando analisados setores que são ainda mais tradicionalmente ocupados por homens, esse número é ainda menor.

Na área de TI, por exemplo, apenas 1% das 500 maiores são presididas por mulheres – incluindo nessa conta a Oracle, que hoje é comandada exclusivamente pela executiva Safra Catz, mas que, até 2019, ela dividia o cargo de co-CEO com o executivo Mark Hurd, que veio a falecer. No setor financeiro, o total é um pouco acima: 2,2%.

Leia também:

Apesar da evolução, ainda há disparidade

Mesmo com mais mulheres na chefia, vale ressaltar que a pesquisa do Ministério da Economia também aponta disparidade em termos salariais: mulheres ocupam 43,8% dos cargos de liderança, mas ganham o equivalente a 69,8% do salário de homens na mesma posição.

E a diferença também acontece no processo de recrutamento. Segundo o FEEx, quando há um candidato que não possui algum dos requisitos, a empresa considera que ele terá capacidade para aprender o que falta com o tempo.

Quando o contrário acontece, o peso é diferente e “a organização acha que ela [a candidata] não serve para a vaga”, diz Naiara.

Esse viés inconsciente é um dos motivos para diversas empresas adotarem processos de seleção por meio de “currículos cegos”, em que informações sobre o candidato que podem apontar gênero não aparecem no currículo, e apenas as qualificações são apresentadas.

Vale ressaltar que viés inconsciente não impacta apenas na escolha de lideranças femininas, mas também em questões sobre deficiência, raça, orientação sexual, e até mesmo idade.

Via: Uol, Ministério da Economia.