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Um grupo de cientistas criou uma forma para nos prepararmos para vivermos em colônias em ambientes rochosos como Marte e a Lua. O “treinamento” está sendo realizado em túneis de lava e cavernas do vulcão Mauna Loa, no Havaí, nos Estados Unidos, e tem como missão realizar pesquisas em um ambiente considerado hostil ao mesmo tempo em que testam seus limites, já que eles trafegam por terrenos vulcânicos irregulares e suportam restrições físicas a bordo de roupas volumosas e pesadas.

A estação de pesquisa Mauna Loa é a única no estado americano e é administrada pela Moon Base Alliance (IMBA), Associação internacional que tem o projeto de desenvolver a primeira base lunar. A pesquisa tem reunido dados essenciais sobre a geologia e os ecossistemas dos tubos de lava, além de evidenciar as dificuldades de conduzir pesquisas científicas em ambientes extremos.

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Segundo Michaela Musilova, comandante da tripulação e diretora da pesquisa de campo chamada de “Havaí, Simulação Analógica de Exploração Espacial” ou a sigla em inglês Hi-SEAS, as equipes com no máximo seis membros da tripulação vivem em um habitat de cúpula de lava por semanas ou meses e possuem tarefas compartilhadas de acordo com a necessidade, independentemente do cargo de cada um. Alimento, água e energia são limitados, imitando exatamente como seria em Marte ou na Lua. Para transitar pelo local é obrigatório usar roupas de proteção, capacetes e o suporte de vida.

“Eu executei quase 30 missões analógicas lá desde 2018”, contou a comandante à revista Live Science. “Temos que nos preparar para tudo com o máximo de detalhes possível, porque no espaço muitas coisas podem dar errado, mesmo as menores coisas podem afetar a missão e custar a vida de alguém”, explicou ela, que disponibilizou uma apresentação sobre a missão na 52º Conferência Lunar e Planetária anual (LPSC).

Vulcão em erupção na Indonésia. Imagem: Shutterstock
Vulcão no Havaí pode ajudar a treinar humanos para morar em Marte. Imagem: Shutterstock

O Hi-SEAS possui uma parceria com a Nasa para estudar extremófilos, que são organismos que prosperam sob condições extremas. Esses organismos são essenciais para encontrar sinais de vida nos tubos de lavas de Marte ou da Lua. Por isso estudar os tubos no arquipélago vulcânico do Havaí é tão importante, já que ele pode trazer pistas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, apontando fatores de comportamento e sobrevivência.

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Uma pesquisa liderada por mulheres

Uma curiosidade é que a missão é formada em grande parte por mulheres. A pesquisa faz parte do programa Sensoria, que tem o intuito de apoiar grupos pouco representados no setor espacial e decidiu colocar à frente do time as profissionais do ramo.

“Todas as nossas missões serão lideradas por mulheres e maioria feminina. Nós, é claro, receberemos de braços abertos nossos colegas homens, mas acreditamos que as mulheres precisam ser colocadas no centro de nossa visão compartilhada para a exploração espacial, que as mulheres precisam ter uma plataforma de desenvolvimento profissional, oportunidades de pesquisa e treinamento”, disse o bioengenheiro e cofundador da Sensoria, JJ Hastings, ao site Space.

Custo físico e psicológico

Apesar da incrível e curiosa pesquisa, relatórios do estudo têm levado em consideração os esforços físicos e mentais dos cientistas. O cuidado com amostras que podem ser facilmente contaminadas e o uso de equipamentos pesados sugerem uma exaustão tornando tudo ainda mais desafiador. Segundo Musilova, sem os trajes adequados o profissional “pode levar horas para coletar certas amostras” devido a sensibilidade do material, em contraponto, a roupa espacial pode dificultar os movimentos.

“Você adiciona um traje espacial. Ele restringe seu movimento e visão, você só pode dobrar a cabeça ou girá-la muito, por causa do capacete. Você só pode se curvar e ajoelhar no chão, por causa da maneira como o sistema de suporte de vida está preso ao capacete com a mochila. Portanto, você está muito limitado no que pode fazer”, explica a diretora que, apesar dos obstáculos, entende que a pesquisa é necessária.

“Quanto mais nos prepararmos na Terra para o que planejamos fazer no espaço, melhor”, finalizou.

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