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No Dia Mundial da Saúde, celebrado nesta quarta-feira (7), especialistas e estudiosos fizeram um levantamento sobre as mudanças das pessoas em relação à saúde durante a pandemia. Segundo eles, o aprendizado não foi só em relação ao uso de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos. As atividades físicas e uma alimentação mais balanceada passaram a fazer parte da rotina de quem busca uma qualidade de vida melhor.

Um dos aprendizados da pandemia foi a prova de que a saúde é mais que apenas o corpo. Muitos se preocupam com os efeitos físicos causados pelo vírus, mas os especialistas lembram que saúde corporal é apenas uma parte da equação. É preciso lidar com o equilíbrio entre bem-estar mental, emocional e social, e entender a relação entre risco e recompensa pessoal que existe para cuidar do todo.

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Mulher meditando por meio de um aplicativo de celular
Qualidade de vida é mais valorizada depois da pandemia.
Crédito: Shutterstock

Para Alexandra Lo Re, assistente social da Oyster Bay, “o lado positivo da pandemia é o foco que passamos a dar à nossa saúde mental“. O isolamento social trouxe solidão, ansiedade e depressão, mas também ensinou diferentes formas de pensar e fomentar a criatividade. Para Lo Re, “a saúde mental é um componente fundamental para viver uma vida completa, superando desafios, lidando com crises e contratempos e aprendendo técnicas de autocuidado”.

Saúde e equidade são indissociáveis

A Organização Mundial da Saúde chama os sistemas que privilegiam algumas pessoas em relação às outras não só de injustos, mas também de evitáveis. Negros e latinos enfrentam mais riscos, por exemplo, de sofrerem complicações sérias em decorrência da Covid-19, segundo a OMS.

Estudos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA também mostram que estas pessoas têm menos acesso a cuidados de saúde e tratamentos de emergência, e são mais propensas a ocupar postos de trabalho que as expõe a maior risco de contaminação.

Isso ocorre há muitos anos, mas a pandemia fez com que agora todos tenham consciência disso. Comunidades marginalizadas foram devastadas pela Covid-19 em termos de internações e mortes e agora estão ficando para trás também na vacinação.

Para a OMS, não existem soluções fáceis, mas sim estratégias que requerem foco e apoio contínuo na busca pela resolução do problema.

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Obesidade é uma das comorbidades que agravam os sintomas da Covid-19.
Crédito: Shutterstock

Os riscos também são maiores para quem têm comorbidades. De acordo com os médicos, a pandemia fez com que as pessoas não conseguissem mais ignorar níveis elevados de glicose ou enzimas hepáticas. Mesmo quem se sentia bem convivendo com alguma doença autoimune ou pressão alta, agora está mais atento ao saber que sua vida pode depender disso. A Covid-19 deixou claro que pessoas com comorbidades, incluindo a obesidade, apresentam mais risco de agravamento da doença. “Este desafio enfatizou a essência de quem somos e o que precisamos e criou oportunidades para atender às nossas necessidades básicas”, diz Edward Krall, professor de Psiquiatria e Medicina Comportamental da Medical College of Wisconsin.

Contato humano é fator fundamental para o bem-estar

Este talvez seja um dos maiores aprendizados da pandemia e, também, uma das reclamações mais frequentes de quem enfrentou a solidão após diagnóstico positivo. Scott Bea, psicólogo clínico da Cleveland Clinic, afirma que “perceber que o bem-estar está fortemente ligado a pensamentos e sentimentos é um crescimento natural da pandemia”.

Como criaturas sociais, sentimos falta de interação humana. Percebemos o quanto precisamos (e queremos) contato com as pessoas. Sentimos falta de contato físico e entendemos que falar com alguém pelo celular não é “a mesma coisa”. Segundo Scott, somente à medida em que o mundo se vacinar e for eficaz no combate às cepas atuais da Covid-19, é que poderemos pensar em voltar a nos reconectar fisicamente.

Por outro lado, para ele, aprendemos a ser resistentes em meio a confinamentos e momentos de pavor e ansiedade. “Somos sobreviventes. As pessoas desenvolveram novas rotinas e diferentes formas de se conectar, além de criar significados e propósitos. Conectar mente, corpo e espírito é a chave para criar um futuro mais saudável”, finaliza.

Fonte: CNN Health